Amiga diz que comerciante desaparecida tinha muita vontade de viver
João Monlevade – Três dias após o acidente que culminou com a morte de duas pessoas, as equipes dos Corpos de Bombeiros de Itabira e Belo Horizonte intensificaram as buscas da comerciante Néia Laurentina dos Santos Leite, 40. Ela era a motorista do Fiat Palio que foi levado por uma enxurrada na entrada da estrada […]
João Monlevade –
Três dias após o acidente que culminou com a morte de duas pessoas, as equipes dos Corpos de Bombeiros de Itabira e Belo Horizonte intensificaram as buscas da comerciante Néia Laurentina dos Santos Leite, 40. Ela era a motorista do Fiat Palio que foi levado por uma enxurrada na entrada da estrada do Forninho. Além de voluntários, familiares e amigos, a amiga da comerciante, Mônica Domingues, também contribuiu com os trabalhos de buscas. Mônica revelou que a única desaparecida da tragédia demonstrava muito amor à vida. "Ela (Néia) tinha muita vontade de viver, muita vontade de tudo", destacou.
Amante do esporte, Néia se dedicava a corridas diariamente em companhia do marido, Rogério Leite, 39. Freqüentemente, a comerciante participava de competições acompanhada das irmãs Domingues, Mônica, Luzia e Marlene. De acordo com Mônica, Néia ficou em primeiro lugar em uma corrida realizada em São Gonçalo, no último mês de outubro. Ela comenta que apesar de não possuir parentesco, Néia era considerada uma irmã para a família Domingues. "Nós somos três irmãs e ela (Néia) completava o quarteto. Ela era como irmã pra gente. Em todas as nossas fotos de corrida vinha escrito as ’irmãs corredoras’. Todas as Piramon’s fazíamos juntas e estávamos sempre em contato. Todas as festas, todos os lugares, missas, saunas. É uma perda enorme. Era como se fosse da família mesmo", lamentou.
Mônica disse ter alimentado esperanças de localizar a amiga Néia com vida durante toda a madrugada de terça-feira, 10, horas depois do acidente. Ela esteve na área da ArcelorMittal Monlevade, na manhã do dia 10, cerca de um quilômetro do local da tragédia. Depois de visualizar o carro destruído, Mônica mudou de idéia. "Depois de ver o carro assim, foi muito forte. Não dá mais pra ter esperanças", disse se emocionando.
Buscas intensas
Na tentativa de aliviar o sofrimento da espera por notícias, Mônica contribuiu com as buscas junto a amigos e ao marido de Néia. Eles refizeram a trajetória às margens do rio Piracicaba desde o local do acidente. Os trabalhos de buscas do Corpo de Bombeiros também foram intensificados ontem. De acordo com o subtenente Márcio Caldeira, responsável pelo comando da operação, além de mais cinco bombeiros, um helicóptero e um barco contribuíram com os trabalhos. Ele destacou que os sobrevôos permitem vasculhar áreas não acessíveis pelas equipes que fazem os trabalhos terrestres. Já o barco permite percorrer áreas não acessíveis aos mergulhadores causadas pelas correntezas do rio Piracicaba.
Na tarde de ontem, os trabalhos de buscas se concentraram no município de Nova Era, já que o corpo do jovem Daniel Cavalcanti foi localizado no distrito de Drumond. Até o início da noite dessa quinta-feira, as equipes não obtiveram sucesso. De acordo com o sub-tenente Márcio Caldeira, os trabalhos serão retomados hoje, sexta-feira, 13. Ele disse que as atividades serão concentradas no município de Antônio Dias, no Vale do Aço, já que o local abriga uma barragem.