Itabira lamenta perda de Usina

Com duas minas de minério de ferro da Vale, mão de obra qualificada e logística, o prefeito de Itabira, João Izael Querino Coelho (PR), faria tudo para ter uma usina siderúrgica da empresa operando no município. "Poderia tudo ter ficado em Itabira. Sem o apoio do governo do Estado, tudo fica mais difícil. Se o […]

Com duas minas de minério de ferro da Vale, mão de obra qualificada e logística, o prefeito de Itabira, João Izael Querino Coelho (PR), faria tudo para ter uma usina siderúrgica da empresa operando no município. "Poderia tudo ter ficado em Itabira. Sem o apoio do governo do Estado, tudo fica mais difícil. Se o governador tivesse usado a força política e dado incentivos certamente a siderúrgica ficaria com a gente", argumentou.

Ele se refere, e lamenta, a preferência da Vale pelo município de Anchieta, no Espírito Santo, para instalar a Companhia Siderúrgica de Ubu. Lá, serão investimentos cerca de US$ 3,3 bilhões para a produção de 5 milhões de toneladas de aço por ano e geração de 18 mil empregos entre diretos e indiretos.

Mesmo sem ser procurada pela Vale, a Prefeitura de Itabira estava à disposição da mineradora para incentivar a instalação da CSU no município. "Ofereceria um terreno de mais de 100 mil metros quadrados, isenção de IPTU E ITBI durante 15 anos", prometeu. O terreno seria próximo à estação de tratamento de esgoto do município mineiro.

O Estado vizinho foi ágil nas garantias de prazos lúcidos para as liberações das licenças necessárias para o empreendimento da Vale e ganhou o bilionário investimento. Segundo o governo capixaba, o processo de licenciamento ambiental demora no máximo um ano no Estado. Em Minas Gerais, empresários reclamam que o desembaraço demora até quatro anos para todo o processo de licenciamento ambiental.

Segundo o prefeito de Itabira, a Vale gera 3.000 empregos diretos e 1.200 indiretos na Mina do Meio e na Mina de Conceição, ambas na cidade. Ele disse ainda que em 2009, Itabira ainda vai sentir os reflexos da crise mundial na produção e exportação de minério de ferro da Vale. "Vamos perder mais de R$ 35 milhões em receitas principalmente de royalties", informou o prefeito que passou noites insones durante a fase aguda da crise econômica mundial no final do ano passado, quando a Vale demitiu funcionários na cidade.

Enquanto anuncia projetos em outros Estados, a Vale mantém investimentos na área de minério em Minas Gerais. Ontem, por determinação do Conselho Estadual de política Ambiental, Copam, tornou pública a solicitação das licenças prévia e de instalação para a ampliação da Mina do Andrade, em Bela Vista de Minas, na região Central do Estado, a 124 km da capital. A concessão ainda não saiu, pois precisa passar por todo o trâmite da burocracia ambiental dos órgãos competentes do Estado.

Apesar de negar problemas de licenciamento ambiental em Minas Gerais, durante evento realizado em Belo Horizonte, há duas semanas, o diretor executivo de finanças e relações com investidores da Vale, Fábio Barbosa, defendeu a necessidade de revisão na política ambiental do país.

"A gente entende que ainda que haja possibilidade de aperfeiçoamento do processo é importante o rigor para viabilizar os benefícios às gerações futuras. Todos nós temos as nossas dificuldades e temos que lidar com elas", analisou.

"A Vale tem um compromisso inequívoco com a preservação do meio ambiente e temos demonstrado isto claramente", acrescentou o executivo que confia no fortalecimento do mercado no segundo semestre deste ano para a Vale escoar sua produção. "A indústria da construção chinesa absorve de 40% a 50% da produção de todo o aço produzido. Istos se reflete também pela demanda de minério de ferro", acredita.