Cronograma da duplicação da ArcelorMittal resiste à crise

A ArcelorMittal Monlevade informou nessa quinta-feira que as medidas adotadas pela usina têm permitido que a siderúrgica passe bem pela crise financeira mundial. A empresa volta a afirmar que o processo de duplicação da produção não sofreu qualquer alteração, e que tudo está dentro do cronograma. De acordo com o assessor de Comunicação da unidade […]

A ArcelorMittal Monlevade informou nessa quinta-feira que as medidas adotadas pela usina têm permitido que a siderúrgica passe bem pela crise financeira mundial. A empresa volta a afirmar que o processo de duplicação da produção não sofreu qualquer alteração, e que tudo está dentro do cronograma. De acordo com o assessor de Comunicação da unidade local, João Carlos de Oliveira Guimarães, a ArcelorMittal está otimista, mesmo que o Instituto Nacional dos Distribuidores do Aço (Inda) preveja que no primeiro trimestre deste ano a demanda pelo produto caia ainda mais, em torno de 30%.

A ArcelorMittal João Monlevade voltou a negar que a crise financeira mundial tenha provocado alterações no cronograma do processo de duplicação da capacidade de produção da empresa, previsto para ser executado em 27 meses. De acordo com o assessor de Comunicação da siderúrgica, João Carlos de Oliveira Guimarães, o projeto de expansão está em revisão constantemente, por causa do período turbulento no mercado financeiro, mas ainda não foi preciso mudar nada do que foi planejado inicialmente.

“As medidas que tomamos têm nos permitido passar bem pela crise. Todas foram eficazes”, afirmou João Carlos. As medidas as quais o assessor de Comunicação se refere são férias coletivas, cancelamentos de contratos, suspensão de programas de trainee e, conseqüentemente, redução na produção de aço. Além disso, a empresa também cortou gastos extras, como a festa de fim de ano dos funcionários, e também anunciou que tem revisto seus projetos nas mais diversas áreas.

Em João Monlevade, a usina já parou duas vezes. Na última, os empregados saíram da empresa no dia 22 de dezembro e só retornaram no dia 1º de janeiro. Durante esses nove dias, a ArcelorMittal deixou de produzir 32 mil toneladas de aço. Ao todo, 800 funcionários receberam férias coletivas.

João Carlos disse que a empresa está otimista com relação ao futuro, mesmo que dados do Instituto Nacional dos Distribuidores do Aço (Inda) apontem que no primeiro trimestre de 2009 a demanda pelo produto vai cair ainda mais, em torno de 30%. “São apenas expeculações, e a ArcelorMittal não trabalha com hipóteses. Trabalhamos com dados concretos. O que posso dizer é que estamos otimistas”, argumentou o assessor da usina de Monlevade.

Segundo a Assessoria de Comunicação, a empresa considera uma irresponsabilidade especular sobre hipóteses de medidas que podem ser tomadas nestes três primeiros meses do ano. Em outras cidades que possuem usinas da ArcelorMittal, como Contagem e Sabará, os diretores já negociam com os sindicatos a suspensão temporária de contratos, sob o argumento de que isso vai evitar demissões em massa. De acordo com João Carlos, isso não acontece em Monlevade. “Aqui nem discutimos essa possibilidade”, garantiu.

Exportações

O último relatório do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior aponta que as exportações de João Monlevade voltaram a cair. Em outubro, o município arrecadou R$32,46 milhões com as vendas para o exterior. Em novembro, esse valor caiu para R$21,76 milhões, o que representa uma queda de 32,96%. De setembro para outubro, as exportações já haviam reduzido 14%. A ArcelorMittal é responsável por 99,73% das negociações com o exterior.

Outra cidade que registrou queda nas exportações foi Itabira. A arrecadação caiu de R$375,1 milhões em outubro para R$232,6 milhões em novembro: uma queda de aproximadamente 38%. O município abriga duas minas da Vale. Só em Minas Gerais, a empresa demitiu 1,3 mil funcionários.

Apesar disso, a Vale acena com otimismo. A Assessoria de Comunicação da mineradora divulgou que a empresa pretende criar 10 mil novos postos de trabalho até 2011, quando novos empregos da companhia vão entrar em operação. Ainda não foram anunciados os locais onde serão criados os empregos.