BR-381 registra uma perda a cada quilômetro
A cada 1,5 quilômetro da BR-381 morre uma pessoa vítima de acidente de trânsito. Batizada de rodovia da morte, a ligação de Minas com os estados de São Paulo, Espírito Santo e Bahia é responsável por 33% do total das ocorrências com óbito nas estradas que cortam o Estado. Pelo menos metade das vidas perdidas […]
A cada 1,5 quilômetro da BR-381 morre uma pessoa vítima de acidente de trânsito. Batizada de rodovia da morte, a ligação de Minas com os estados de São Paulo, Espírito Santo e Bahia é responsável por 33% do total das ocorrências com óbito nas estradas que cortam o Estado. Pelo menos metade das vidas perdidas ocorre no trecho entre Belo Horizonte e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. São 311 quilômetros com pontes estreitas e 200 curvas perigosas.
“Tudo leva a crer que onde os cavalos e carruagens trafegavam, apenas adicionaram asfalto e liberaram o trânsito para os veículos automotores, como é o caso do trecho Belo Horizonte/João Monlevade”, declarou o perito Paulo Ademar de Souza Filho, especialista na investigação de acidentes de trânsito. Ele afirma que pelo menos 90% das estradas mineiras estão fora dos padrões técnicos brasileiros de segurança. “Os motoristas de veículos mais leves se irritam com a falta de possibilidade de ultrapassagem segura e se arriscam numa roleta russa. Esse tipo de acidente acontece principalmente nas rodovias de pista simples de mão dupla”, alertou o perito.
Duplicação da BR-381 orçada em R$ 1,6 bilhão
A BR-381 é umas das principais rodovias federais do país. Foi construída na década de 1950 pelo então presidente Juscelino Kubitscheck, dentro do plano de crescimento nacional “50 anos em cinco”. É por ela que passa grande parte de tudo que é produzido no Sudeste do Brasil e precisa ser enviado para o Nordeste e para os portos do Espírito Santo, para exportação. Por conta disso, o movimento de caminhões de grande porte é intenso em qualquer período do dia ou da noite.
A estrada ganha o nome do bandeirante paulista Fernão Dias nas regiões metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte. Ela é duplicada de Belo Horizonte a São Paulo, e também na grande Vitória (ES). Outra parte da BR, no entanto, que liga Belo Horizonte a Governador Valadares (no Vale do Rio Doce) é palco de tragédias de repercussão nacional. A chamada «parte Leste» da BR-381 está em vias de duplicação pelo Governo Federal, que quer melhorar as condições de tráfego no país.
A duplicação está orçada em R$ 1,6 bilhão, recursos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Além de ganhar novo traçado em vários pontos, principalmente entre Betim e Ravena, em Sabará e Itabira e Nova Era, no Médio Piracicaba. A intenção do Governo federal é acabar com as curvas perigosas e os acidentes fatais que param a 381 durante horas e contribuem para a cifra de prejuízos anuais estimados em R$ 9,5 bilhões para a economia nacional, de acordo com pesquisa de seguradoras do setor de transporte de cargas.