Prefeito João Izael: “Estamos acompanhando a crise do Valério, mas só vamos agir em caso extremo”
Nos últimos dias, desencadeia-se uma crise sem precedentes no Valeriodoce Esporte Clube, tradicional associação esportiva de Itabira, que completa 66 anos neste mês de novembro. O VEC foi criado pela Vale no sexto mês após a sua fundação, em 1942. A iniciativa partiu de funcionários da empresa, respaldados pela diretoria, que assumiu o clube e […]
Nos últimos dias, desencadeia-se uma crise sem precedentes no Valeriodoce Esporte Clube, tradicional associação esportiva de Itabira, que completa 66 anos neste mês de novembro. O VEC foi criado pela Vale no sexto mês após a sua fundação, em 1942. A iniciativa partiu de funcionários da empresa, respaldados pela diretoria, que assumiu o clube e o comandou até o período pré-privatização.
Mesmo antes da privatização, a Vale resolveu doar todo o patrimônio do Valério, compreendido por praça de esportes e campo de futebol, uma estrutura reconhecidamente boa, à Prefeitura de Itabira. Mas o clube começou, logo a seguir, a sua decadência. Segundo os diretores, era e é um patrimônio muito grande para ser mantido sem arrecadação própria além do corpo de associados. Daí, os estragos feitos ano após ano.
DeFato consultou o prefeito João Izael Querino Coelho a respeito da situação caótica em que se encontra o Dragão: com dívida praticamente impagável na praça, funcionários há meses sem receber seus salários e em greve, instalações praticamente abandonadas. O risco de ser fechado pela vigilância sanitária traz mais um alerta neste final de outubro. Os outros riscos cada dia se tornam mais iminentes, qualquer leigo sabe que neste ritmo, está para ocorrer o indesejável para todos.
Fora isso, os atropelos internos: desentendimentos, rixas, confusões armadas. Quando falta dinheiro, todo mundo põe a culpa em todo mundo. Nesta hora, é importante a opinião do líder maior da cidade. Mas ele pode falar? Ele pode interferir? O que fazer?
João Izael disse que está acompanhando o desenrolar dos acontecimentos e torcendo com todas as forças, como se estivesse na arquibancada fazendo coro por uma vitória, para que os dirigentes do clube encontrem um caminho e nele surjam as soluções para salvar o clube. O prefeito diz saber que, como está, a instituição não poder receber sequer subvenções e, assim, não tem condições de sobreviver. “Estamos acompanhando a crise, esperamos um desfecho feliz, só vamos agir se houver a necessidade. Não posso interferir, o clube tem diretoria, tem conselhos, tem funcionários, tem associados, tem uma torcida. Seria ingerência entrar lá e dar palpite”, afirmou o prefeito.
Mas, e se o clube fechar as portas, acabar, ter um fim, o que será feito? A Prefeitura, o prefeito, os vereadores, os líderes da cidade ficarão de braços cruzados? “Repito que não desejo que isso ocorra, espero que a saída seja encontrada, vamos até depois dos descontos do segundo tempo aguardar. Mas se ocorrer o apito final, vamos iniciar um movimento para a sua volta, a ressurreição; convocar os itabiranos de verdade, chamar os associados e, assim, que Deus nos ajude a não deixar o fim ocorrer”, declarou João Izael. Para ele, os novos tempos exigem posturas diferentes, idéias, ações revolucionárias. “Chega de paternalismo! Vamos agir como pessoas responsáveis. E todos são responsáveis”, concluiu.
Aí começam as especulações: ocorreria uma mudança de nome, de razão social? Itabira Futebol Clube? Ou Valério de Itabira? Ou o que mais? Ou a mesma organização? Seria declarada a falência do Valeriodoce Esporte Clube depois de 66 anos de existência? E a Vale, como ela seria tratada nesse processo de tentativa de ressurreição? Com a palavra o futuro. E não se assustem: futuro importante para Itabira!