A nova cara da 381
Em alguns pontos da rodovia, especialmente no trecho entre Barão de Cocais e Caeté, motoristas já conseguem enxergar um esboço do que virá a ser o novo traçado da BR
“Isso é mesmo a duplicação da BR-381? Achei que não estaria vivo quando acontecesse”. A frase incrédula é de um motorista que passava por um quebra-molas em frente ao trevo de acesso a Barão de Cocais. Ao ver a reportagem de DeFato fazendo fotos no local, ele fez questão de abaixar os vidros para fazer o comentário. A fala tinha tom de alegria, embora deixasse transparecer um pouco de desconfiança. Não deu nem para perguntar o nome do simpático senhor. Logo atrás vinha uma carreta, fazendo aquele barulho de freada que deixa apavorado quem está à frente.
O trecho pelo qual passava o motorista é o que tem obras mais avançadas na duplicação da BR-381. No trevo de Barão de Cocais, duas grandes estruturas são rascunhos da nova intercessão projetada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Tanto lá quanto em Itabira e Bom Jesus do Amparo, os trevos terão passagens em dois níveis.
As obras fazem parte do lote 7 da duplicação da BR-381, orçado em R$ 399 milhões. O projeto é executado pelo consórcio Brasil/Mota/Engesur e possui extensão de 37,5 quilômetros, entre o rio Una e à entrada para a MG-435, passando pelos municípios de Caeté, Nova União, Bom Jesus do Amparo, Itabira e Barão de Cocais.
Próximo ao acesso a Itabira, de acordo com o projeto divulgado pelo Dnit, serão construídos dois trevos, um de cada lado. Também perto da entrada para a terra de Drummond será erguida uma passarela para pedestres. O planejamento ainda inclui trevos em Nova União e Taquaraçu de Minas, ambos com passagens superiores. Mais duas passarelas para pedestres serão construídas na região do bairro Nova Aparecida, em Nova União, e perto do clube Free Time, em Caeté.
Um dos grandes problemas da BR-381 é a quantidade de batida frontal, quase sempre com vítimas fatais. Um levantamento da ONG SOS Rodovias Federais aponta que quase 90% das mortes que tornaram tristemente famosa o trecho que liga Belo Horizonte a Governador Valadares acontecem quando um veículo bate de frente com o outro. Com a duplicação, a tendência é que esse índice diminua.
Em alguns pontos da BR-381 serão construídos terceiras faixas e em outros as duas serão alargadas. Os dois sentidos serão separados por canteiros centrais, justamente para evitar as colisões frontais. No trecho entre os trevos de Itabira e Barão de Cocais, motoristas já enxergam as novas pistas sendo abertas em meio aos montes de terra.
Obras e prazos
Segundo o Dnit, além do lote 7, entre Barão de Cocais e Caeté, outro ponto de obra mais avançado é a construção do túnel Rio Piracicaba (lote 3.2), em Jaguaraçu de Minas. O órgão federal ainda considera com “bom volume de obras” a restauração do pavimento entre a BR-116 e o trevo de acesso a Belo Oriente (lote 1) e entre o acesso a Belo Oriente e o acesso a Jaguaraçu (lote 2). Também foram iniciadas as obras do lote 3,3, nos túneis de Antônio Dias e Ribeirão Prainha.
Dos 11 lotes colocados em licitação pelo Dnit, nove já foram contratados. O órgão federal trabalha com a previsão de ter as obras prontas em fevereiro de 2017. Vai ficar para trás a Variante Santa Bárbara, que corresponde aos lotes 8A e 8B. A licitação para esse trecho de 40 quilômetros, o mais complicado do projeto de duplicação, ainda não foi feita.
Os estudos e a elaboração do anteprojeto da variante estão em andamento, com previsão de conclusão em um ano. Após a conclusão desse trabalho, o Dnit contratará a empresa que desenvolverá os projetos básicos e executivos, assim como executará as referidas obras. A previsão de início das obras é para o segundo semestre de 2016. A previsão para conclusão das obras da variante é de três anos, ou seja, 2019.
Depois de muito tempo de espera, parece que dessa vez a duplicação da BR-381 finalmente é uma realidade. O que todos os mineiros esperam é que não haja nenhuma surpresa desagradável. E que os sorrisos como o do motorista que passava pelos quebra-molas de Barão de Cocais sejam muito mais de alegria do que de desconfiança.
Projeto travado
Em novembro, um problema surgiu no prosseguimento para início das obras no lote 6, correspondente ao trecho que liga João Monlevade ao rio Una, em São Gonçalo do Rio Abaixo. O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que o consórcio vencedor da licitação alterou significativamente o traçado que havia proposto no projeto básico. O TCU constatou um excessivo número de curvas com raios menores que os previstos, vias mais sinuosas e “interseções em diferentes níveis”, o que afronta o edital de contratação.
Porém, segundo o Dnit, o TCU emitiu a conclusão antes mesmo do órgão responsável pelas licitações terminar a análise do projeto apresentado pelo consórcio. “O Dnit está desenhando os possíveis cenários de execução para tomada de decisão sobre qual a melhor forma de conduzir as obras deste lote, tendo em vista todas as possibilidades e implicações que a sua execução poderá exigir”, informou o Dnit.