Acita Mulher fortalece rede de apoio, capacitação e liderança feminina no empreendedorismo em Itabira
Câmara da Mulher Empreendedora amplia projetos de formação, conexão e acolhimento, com foco em segurança, autonomia e prosperidade sustentável

Mais do que um grupo voltado a empresárias consolidadas, a Acita Mulher se estrutura como uma ampla rede de apoio, formação e conexão entre mulheres em diferentes estágios da vida profissional. Braço da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agropecuária de Itabira (Acita), a Câmara da Mulher Empreendedora tem como propósito central acolher, capacitar e impulsionar mulheres que já empreendem, que desejam empreender ou que ainda não se reconhecem como empreendedoras, mas desenvolvem atividades geradoras de renda.
“Acita Mulher, para nós, que estamos assumindo a gestão agora, é exatamente uma conexão, uma rede de apoio às mulheres. Ao contrário do que a maioria pensa, que é só para mulheres empreendedoras, na verdade não é. A Acita Mulher tem o objetivo de conectar mulheres, aquelas que empreendem e aquelas que querem empreender, mas também é um espaço de acolhimento, pois sabemos que às vezes é difícil para aquela empreendedora que de repente não se vê como empreendedora”, explica a presidente da Acita Mulher, Sirlane Pereira Souza, da KSI Assessoria Empresarial.
Ela reforça que o foco está na construção de um ambiente seguro e respeitoso. “É acolher, preparar e capacitar para que elas tenham mais segurança e deem continuidade ao seu negócio ou até mesmo iniciar o próprio empreendimento. A Acita Mulher é um local em que a gente busca ter respeito de uma forma que elas se sintam acolhidas. Não tem julgamento, todas são tratadas de formas iguais de acordo com a sua necessidade”, afirma.
Essa proposta está alinhada à missão da Acita Mulher: capacitar e conectar mulheres que empreendem ou desejam empreender, fomentando uma rede de apoio mútuo, conhecimento e recursos essenciais tanto para o desenvolvimento dos negócios quanto para o crescimento pessoal. A visão é ser uma comunidade de referência, onde a ajuda mútua incondicional impulsiona cada mulher em sua jornada empreendedora rumo à realização pessoal e à prosperidade sustentável.
Os valores que sustentam a atuação são sintetizados no conceito de “raízes”: respeito à individualidade e à diversidade; autonomia para que cada mulher lidere seu próprio caminho; integridade nas relações; zelo na busca pela excelência; engajamento coletivo; e segurança, garantindo um espaço de confiança e proteção para aprender e crescer.
Projetos com foco em capacitação e continuidade
Entre as principais frentes de trabalho, a formação ocupa lugar de destaque. “Nós estamos com alguns projetos. O primeiro deles é capacitar as mulheres através de treinamentos, cursos, consultorias, com preços bem acessíveis e através de bônus mesmo, de auxiliar aquelas que não têm condição e trazer para próximo da gente”, detalha Sirlane.
Um exemplo dessas ações acontece nesta terça-feira (27), quando a presidente da Acita Mulher ministrará a palestra “O Poder da Autoestima”, às 19h, na sede da instituição, no bairro Esplanada da Estação — evento com 95 inscritos e que ainda conta com fila de espera.
A proposta da Acita Mulher, no entanto, vai além de ações pontuais. “Nosso maior projeto, até o final da nossa gestão, é montar uma conexão para a mulher. Mas não é uma conexão que você vai lá e faz uma palestra, é uma conexão que dá continuidade — é uma trilha de conhecimento que vai te ajudar a empreender até você começar a caminhar sozinha e se sentir segura”, ressalta Sirlane.
Essa “trilha do conhecimento” também é destacada pela vice-presidente da Acita Mulher, Maria Eduarda Martins Figueiredo, da Seleto Carnes. “Além dessa trilha do conhecimento — que vai desde o workshop até as missões com outras empreendedoras —, a gente está sentindo falta de treinamento técnico para as mulheres que ensinem sobre finanças, gestão de pessoas e liderança efetiva dentro da empresa, independentemente do número de funcionários”, pontua.
A lógica é construir um processo formativo contínuo, ajustado às demandas reais do grupo. “O fato de a Acita Mulher ser um braço da Acita eu acho que gera muita credibilidade. O que a gente faz é algo sério, planejado e pensado. O interessante da Acita Mulher é que a gente vai de acordo com as demandas. Claro que temos eventos já programados durante o ano, mas temos outros, principalmente de formação, que vão sendo elaborados conforme as necessidades das mulheres que participam das nossas ações”, afirma Eduarda.
Apoio, troca de experiências e combate à violência
Outro eixo importante é o acolhimento em situações de vulnerabilidade. “Nós temos os projetos caminhando junto com o Ministério Público para acolher essas mulheres com o Selo Lilás, que é um projeto de acolhimento e luta contra a violência contra as mulheres e violência doméstica. E temos outros projetos também, além da capacitação e palestras mais pontuais”, explica Sirlane.
A dimensão humana e relacional é vista como diferencial. “Às vezes você se sente sozinha para buscar informações, outras pessoas para essa troca de ideia. Porque a gente sabe que, independentemente do tamanho do negócio, tem seus desafios. Então é um ponto de apoio muito grande para quem está iniciando. Então busca na Acita Mulher uma forma de apoio mesmo, como se falasse assim: aqui eu não vou estar sozinha, vou encontrar outras pessoas que buscam o mesmo objetivo que o meu”, relata Eduarda.
Ela destaca ainda o valor da troca de experiências. “Acredito que sempre tem algo que eu posso ensinar e algo que eu posso aprender, e vejo na Acita Mulher esse espaço. Todo mundo pode ensinar alguma coisa para o ambiente, desde aquela pessoa que está iniciando a vivência nos negócios até aqueles que, às vezes, estão há mais tempo à frente do seu próprio negócio. Então, eu acredito que essa troca é muito legal. Então, isso gera uma conexão e um espaço de debate muito interessante e essencial”.
Para Sirlane, um dos desafios é reduzir a insegurança feminina em relação à formalização: “Eu vejo que as mulheres se sentem muito inseguras em empreender. Às vezes, elas acham que o fato de eu oficializar o negócio traz um custo maior do que viver na ‘clandestinidade’ com o seu empreendimento. Então, quando você consegue mostrar para ela que fazer um MEI é bem melhor e traz mais garantia do que ela trabalhar de forma ‘clandestina’, você consegue trazer essa segurança para ela, de que você vai estar ali para dar esse apoio, para ajudar a fazer o MEI e até mesmo compartilhar conhecimento”.
Rede que encurta caminhos
A Acita Mulher também é vista como um espaço estratégico de relacionamento. “O empreendedorismo por si só já é muito solitário. Então se você não tem essa instituição que acolhe e que está ali para receber, fica mais difícil. Eu falo que não precisamos repetir os erros que outras pessoas já cometeram, podemos cometer novos erros, mas eu acredito que o caminho fica até mais curto quando sabemos o que podemos evitar — um conhecimento que pode ser passado por aqueles empreendedores que trilharam um caminho pelo qual ainda estou passando”, diz Eduarda.
Ela complementa: “Acho que um ponto crucial é que não se trata apenas de fazer negócios, mas de você conhecer as pessoas certas que vão te abrir portas e que vão estar disponíveis para tirar dúvidas, te ajudar e trazer esclarecimentos”.
Estrutura e vínculo com a Acita
A diretoria da Acita Mulher, com gestão até 2027, é formada por Sirlane Pereira Souza (presidente), Maria Eduarda Martins Figueiredo (vice-presidente), Maria Lúcia Soares da Cunha (tesoureira) e pelas conselheiras Josiane Helena de Oliveira Reis, Yolanda Silva Ferreira, Marília Caldeira Pinto Coelho e Ana Marta Martins Lage.
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O vínculo com a entidade-mãe também é ressaltado. “A Acita já tem 100 anos e poucas pessoas sabem o que ela representa e o quanto ela ajuda, não só aos empresários. A Acita participa desse projeto pela duplicação da BR-381, possui cadeiras nos conselhos municipais, como o Codema [Conselho Municipal de Meio Ambiente], dentre outras iniciativas”, lembra Sirlane.
Fundada em 8 de março de 2016, a Acita Mulher é um programa da Acita voltado à disseminação do empreendedorismo feminino, ao fortalecimento do associativismo e à ampliação da liderança de mulheres nos negócios locais, consolidando-se como espaço de conexão, capacitação e apoio mútuo.
A Acita, por sua vez, foi fundada em 1925 e completou 100 anos em 2025. Trata-se da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agropecuária de Itabira, entidade que representa o setor produtivo local e atua em pautas estratégicas para o desenvolvimento econômico e institucional do município.




