Ações da Vale caem mais de 4% com parecer de CPI e derruba Bolsa

As ações da Vale recuaram 4,2%, a R$ 51,39, nesta terça-feira (2), após CPI (comissão parlamentar de inquérito) do Senado que apurou a tragédia de Brumadinho (MG) recomendar indiciamento de 14 pessoas e das empresas Vale e TÜV SÜD, além da criação de royalties da mineração. A desvalorização da companhia, que compõe 9,7% do Ibovespa, […]

Ações da Vale caem mais de 4% com parecer de CPI e derruba Bolsa
in Brumadinho

As ações da Vale recuaram 4,2%, a R$ 51,39, nesta terça-feira (2), após CPI (comissão parlamentar de inquérito) do Senado que apurou a tragédia de Brumadinho (MG) recomendar indiciamento de 14 pessoas e das empresas Vale e TÜV SÜD, além da criação de royalties da mineração.

A desvalorização da companhia, que compõe 9,7% do Ibovespa, levou o índice a recuar 0,72%, a 100.605 pontos.

A queda no preço do petróleo também impulsionou as perdas da Bolsa, pressionando ações da Petrobras, que recuaram cerca de 1,5%.

A falta de acordo para incluir estados e municípios na reforma da Previdência completou o viés negativo do pregão e acelerou perdas. O dólar acompanhou e subiu 0,260%, a R$ 3,8550.

Embora as recomendações da CPI não sejam vinculantes, elas podem influenciar autoridades, que continuam a investigar o desastre.

A CPI recomendou o encaminhamento do relatório à Polícia Federal, à Polícia Civil do Estado de Minas Gerais, ao Ministério Público da União, ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais, ao Governador de Estado de Minas Gerais, ao Ministério das Minas e Energia e ao Ministério do Meio Ambiente.

A CPI também apresentou projeto que proíbe novas barragens de rejeitos de mineração e de rejeitos industriais, para acabar com as barragens existentes em até 10 anos e para criar uma espécie de royalties de mineração.

Seria criada uma participação à receita líquida das mineradoras, com alíquota máxima de 40%, em linha com o que ocorre no modelo de royalties do petróleo. 

As recomendações levaram as ações da Vale a cair 6,77% no pior momento do dia.

Petróleo

Além da mineradora, a Petrobras teve forte queda com a desvalorização do petróleo. 

Os preços do petróleo caíram mesmo depois de a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e seus aliados, incluindo a Rússia, terem concordado com a prorrogação de um acordo para cortes de oferta até março de 2020, à medida que dados fracos de manufatura geraram em investidores preocupações de que uma economia global em desaceleração possa prejudicar a demanda por petróleo.

“Foi o mínimo que a Opep poderia fazer para evitar um grande colapso nos preços. Os países-membros notaram que o crescimento da demanda global por petróleo caiu neste ano para 1,14 milhão de bpd (barris por dia), enquanto a oferta não-Opep deve crescer em 2,14 milhões de bpd”, disse em nota a consultoria Tamas Varga.

Ainda nesta terça, dados indicam que a produção de petróleo de Brasil e Venezuela aumentou. Segundo a  Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção nacional bateu o recorde em maio, quando chegou a 2,731 de bpd. 
Nesta quarta (3), devem ser anunciados os estoques de petróleo nos Estados Unidos, cujos níveis têm figurado acima do esperado.
Com a grande disponibilidade do petróleo e falta da demanda, o barril brent recuou 3,8%, a US$ 62,60, menor patamar desde 19 de junho.

As ações preferenciais da Petrobras (mais negociadas) cederam, 1,6%, a R$ 26,82. As ordinárias (com direito a voto), caíram 1,5%, a R$ 29,47. 

O Ibovespa, pressionado pela queda de suas principais companhias, cedeu 0,72%, a 100.605 pontos. O giro financeiro foi de R$ 17,551 bilhões, acima da média diária para o ano.

No pior momento do pregão, o índice cedeu 1,25%, a 100.072 pontos. A intensificação da queda veio após a confirmação de que estados e municípios ficariam fora do relatório final da reforma da Previdência que está sendo apresentado por Samuel Moreira (PSDB-SP) na comissão especial.

De acordo com o cronograma de parlamentares favoráveis ao projeto, a votação na comissão deve se iniciar nesta quarta (3), à tempo da reforma seguir para o plenário da Câmara antes do recesso, que se inicia em 18 de julho. 

No exterior, Bolsas voltaram a bater recordes. Em Nova York, Dow Jones, subiu 0,26% e bateu a máxima do ano, aos 26.786 pontos. O índice S&P 500 teve alta de 0,3% e renovou o recorde da véspera, aos 2.973 pontos. 

Na Europa, Londres teve alta de 0,82% e chegou ao patamar de 7.559 pontos, mais alto do ano. Paris subiu 0,16%. Frankfurt e índices asiáticos permaneceram estáveis.