Acusado de matar a esposa e forjar acidente de carro vira réu por feminicídio
Justiça manteve a prisão preventiva contra homem preso desde dezembro por suspeita de assassinar a companheira e tentar esconder o crime com uma colisão na MG-050

A Justiça de Minas Gerais tornou réu Alison de Araújo Mesquita, acusado de matar a esposa, Henay Rosa Amorim, de 33 anos, e forjar um acidente de trânsito para tentar encobrir o crime. Além de receber a denúncia apresentada pelo Ministério Público, a juíza responsável pelo caso manteve a prisão preventiva do investigado, preso desde dezembro de 2025. O homem responderá por feminicídio qualificado, com as agravantes de violência doméstica e familiar, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de fraude processual.
Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime aconteceu na madrugada de 14 de dezembro de 2025, em um apartamento no bairro Nova Suíça, na região Oeste de Belo Horizonte. Conforme a investigação, Henay havia manifestado a intenção de encerrar o relacionamento, momento em que teria sido asfixiada pelo companheiro até morrer.
Ainda de acordo com a investigação, horas depois do homicídio, Alison colocou o corpo da vítima no banco do motorista do carro do casal e seguiu em direção à MG-050. A suspeita é que ele tenha provocado uma colisão na altura do km 90 da rodovia, entre Belo Horizonte e Divinópolis, para simular que a morte havia ocorrido em um acidente de trânsito.
As investigações da Polícia Civil apontaram diversos elementos que sustentam a versão de feminicídio. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o investigado retirou o corpo do apartamento e o colocou dentro do veículo. Também foram reunidos laudos periciais, vestígios de sangue no imóvel, registros de agressões anteriores e imagens captadas em uma praça de pedágio, onde, segundo a investigação, a vítima já aparentava estar inconsciente enquanto o suspeito conduzia o automóvel sentado no banco do passageiro.
Conforme o inquérito, o relacionamento do casal era marcado por episódios de violência. A investigação reuniu registros de ocorrências anteriores, prontuários médicos e mensagens atribuídas à vítima relatando agressões físicas e psicológicas. A necropsia concluiu que Henay morreu em decorrência de asfixia por constrição cervical, afastando a hipótese de que o óbito tenha sido provocado pela colisão na rodovia.
Em nota, a defesa de Alison afirmou que mantém confiança na atuação da Justiça e informou que apresentará, no decorrer do processo, os argumentos defensivos e as contestações aos elementos produzidos durante o inquérito.