Acusados de matar fazendeiro em Peçanha vão a júri popular

O fazendeiro foi executado com oito tiros e facadas em sua propriedade

Acusados de matar fazendeiro em Peçanha vão a júri popular
Os acusados do assassinato do fazendeiro Isnard Carvalhaes vão a júri popular no fórum de Peçanha, nesta quarta-feira, 14 de março. O crime brutal aconteceu no dia 9 de dezembro de 2010 e trouxe medo à população local. O fazendeiro, na época com 77 anos, foi executado com oito tiros e facadas em sua propriedade, no distrito de Sem Barra, zona rural da cidade.
 
José Martins Júnior (Junim), 21, Fernando Ferreira de Souza (Nandim), 23, e Marcelo Júnior de Almeida, 28 anos, foram indiciados por homicídio duplamente qualificado no inquérito que apurou o assassinato. Depois de presos, Marcelo fugiu e é suspeito de participar de outro assassinato em Guanhães, por uma quantia de R$ 300.
 
De acordo com a médica Lucinéia Queiroz Carvalhaes, filha do fazendeiro, Isnard tinha problemas de saúde, o que limitava a mobilidade dele. “Papai faria 78 anos em janeiro de 2011, tinha perdido a visão esquerda em 2010 devido a uma trombose ocular; tinha perda auditiva de médio porte e espondilite anquilosante (reumatismo que ataca ombros, coluna, quadril e pescoço)”, relata.
 
A seguir, ela relata os momentos vividos pela família em uma carta enviada a DeFatoOnline
 
“Venho pedir sua atenção novamente. Agradeço o apoio quando buscava os primeiros caminhos, perdida, sem saber como iniciar a busca pela Justiça. Agora haverá o JÚRI POPULAR EM PEÇANHA, dia 14/3/12, e cobertura pela TV LESTE E FOLHA DE GUANHÃES. Refaço o relato sobre a dor que se abateu sobre minha família, mas se desdobrou entre os cidadãos de minha região. Meu pai, ISNARD CARVALHAES, foi assassinado em dezembro de 2010, em Peçanha, e desde então buscamos forças, apoio e caminhos para conseguir identificar os assassinos e manter firme na busca pela Justiça. Procurei contatos, autoridades, imprensa.
 
Fizemos cartazes pedindo que quem tivesse informação a repassasse para a polícia; pregamos cerca de 2.000 cartazes em todas as cidades da região. Recebemos apoio grande da Polícia Civil de Guanhães, pelas delegadas Meire Cardadeiro e Ana Paula Passagli e toda a equipe de investigadores. Aos poucos os depoimentos foram aparecendo; a Polícia Civil trabalhou muito conseguiu a prisão temporária e depois a prisão preventiva dos três indiciados, que mataram meu pai por motivo fútil. Na época, recebemos enorme apoio do promotor de Justiça de Peçanha, com dedicação ao estudo do inquérito e seriedade pela promotoria. Meu pai, trabalhador, idoso, honesto, sem brigas ou atritos, estava sozinho em casa, tinha 77 anos, tinha reumatismo/espondilite anquilosante, havia perdido uma visão um ano antes, tinha pouca mobilidade para se defender, sofreu muito, foi assassinado com muita, muita crueldade, em 09/12/2010, por 3 jovens, por motivo fútil, tudo conforme inquérito policial.
 
Durante esta fase, pouco tempo após ser preso, um dos indiciados, o mais agressivo, Marcelo Junior de Almeida, fugiu da cadeia de Guanhães. Em fins de 2011, o fugitivo Marcelo é acusado de matar outro idoso, um taxista, Sr. João, em Guanhães, junto a outros três sujeitos. Conforme inquérito da Polícia Civil identificou, dois foram presos, mas Marcelo e outro estão foragidos. Além disso, todos o teme; quando estava preso, ameaçou várias pessoas. Outros crimes têm sido investigados, com possível envolvimento deste sujeito. É muito difícil para uma família cidadã, trabalhadora, ativa na observação da situação social e política. É muito difícil manter a firmeza na vida, cumprir obrigações e rotinas. Perdem-se referências importantes. Perde-se como cidadão. Ainda tem sido tempos de muita dor e sentimentos de difícil descrição.
 
Muita oração, fé em Deus, e apoio de amigos, tem sido sustento para a perseverança, na insistência pela Justiça. Cremos que esta busca também é um dever Cristão. Procuramos Justiça neste crime, mas também pela Justiça geral, que contribui para a redução da cultura do crime e da sensação de impunidade que ainda há na região. Neste intervalo, procuramos prefeitos, associação dos municípios, imprensa, insistimos, cobramos para que as autoridades e a comunidade discutam e busquem alternativas para redução da violência. Este também é caminho árduo e longo. Estamos preocupados e inseguros com a situação.
 
A AMBAS – Associação de Municípios da Microrregião da Bacia do Suaçui (13 prefeitos) fez um ofício ao Secretário de Estado de Defesa Social, Lafayette de Andrada. Estamos procurando cientes de seu compromisso com a nossa região e com temas de preocupação de todos os que aqui residem, cientes que estará sensibilizado e se posicionará pela punidade rigorosa dos crimes que assolam a região, especialmente crimes contra a vida. Estamos sempre buscando apoio na imprensa, e somos muito gratos a DeFato, Folha de Guanhães, a Rádio Itatiaia. Isto tem sido muito importante e a região tem acompanhado estes passos, já que não é comum na região, que família (especialmente como a nossa, 4 mulheres sendo 3 filhas e a viúva) parta firme e claramente em busca de justiça e mobilização social.
 
O julgamento popular foi marcado para 14/03/12. Muitos o acompanharão e tem se posicionado pela Justiça. O que busco é a punidade rigorosa, posicionamento, cobrança e estímulo pela Justiça, para que a região seja atenta e participativa nas decisões pela cultura da paz, redução da impunidade e postura firme pela punidadade rigorosa especialmente nos crimes contra a vida. Isto é essencial para a redução da crença na impunidade e nas penas leves e curtas. Em nossos contatos temos cobrado investimentos para a prisão deste foragido e aumento de ações da polícia na região, assim como aumento de recursos para trabalho da polícia. Também pedimos ações como a Polícia Comunitária, com parceria de sucesso com a população. Esta ação ainda não está presente na região. Tel. 33 4111242. Minha família agradece o apoio.”