André Mendonça autoriza investigação contra Lulinha por suspeita de tráfico de influência

A solicitação da PF ao ministro André Mendonça, relator do inquérito, ocorreu na sexta-feira (24) e distribuído na quarta-feira (29)

André Mendonça autoriza investigação contra Lulinha por suspeita de tráfico de influência
O ministro André Mendonça é o relator das investigações sobre a fraude no INSS- Foto: Luiz Silveira/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (30), que a Polícia Federal investigue Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), filho mais velho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por suspeita de tráfico de influência e corrupção em articulações com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

A solicitação da PF ao ministro André Mendonça, relator do inquérito, ocorreu na sexta-feira (24) e distribuído na quarta-feira (29).

Mendonça apura fraudes nos descontos associativos do INSS.

A informação foi publicada pela Folha de São Paulo e confirmada pelo Poder360.

A PF investiga se Lulinha exerceu influência indevida junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência da República para favorecimento à liberação e comercialização de canabidiol medicinal em programas governamentais.

Os investigadores consideram que Lulinha possa ter atuado no ramo do mercado de cannabis em sociedade dom Roberta Luchsinger e tenham trabalhado em favor da empresa World Cannabis, ligada ao Careca do INSS.

A PF identificou pagamentos do lobista para a RL Consultoria, empresa de Roberta Luchsinger, e tenta esclarecer se houve repasses a agentes públicos com uma possível atuação irregular de Lulinha.

O pedido da PF inclui também a autorização para compartilhar provas obtidas na operação Sem Desconto, que apura desvios no INSS e tem o Careca do INSS como um dos alvos.

O pedido de inquérito menciona ainda contatos entre os investigados e servidores públicos, inclusive do gabinete do presidente Lula.

A solicitação chegou ao STF durante o recesso do Judiciário e a princípio foi analisada pelo ministro Alexandre de Moraes, que substituía em regime de plantão o ministro Edson Fachin, presidente da Corte.

Mendonça acabou assumindo a relatoria por vinculo com a operação Sem Desconto.

O advogado de Lulinha, Guilherme Suguinori, afirmou ao Poder360 não ter tido acesso ao pedido da PF, mas declarou que uma nova investigação “demonstra uma falha da PF” em encontrar provas contra o filho do presidente.

A advogada do Careca do INSS, Danyelle Galvão, disse “não ter conhecimento sobre o tema, nem sobre o tal pedido”.

O mesmo posicionamento tem o advogado de Roberta Luchsinger, Bruno Salles, que desconhece o pedido de investigação.

“Os fatos que estão sendo relatados, a investigação sobre repasses do INSS, e sobre eventual malversação de verbas públicas, já forma objeto de investigações em andamento.. Portanto, não haveria razão para a instauração de um novo inquérito policial. Na verdade, em todos os meus anos de carreira, essa seria a 1ª vez que eu veria uma investigação em melhor de 3: quando não se encontra nada na 1ª, tenta-se novamente até conseguir algum elemento que possa ser explorado politicamente. Não faz o menor sentido reabrir uma investigação, envolvendo o filho do presidente da República, que já havia sido finalizada, às vésperas do início de um processo eleitoral, a nãos er para explorar isso politicamente”.

*Fonte: Poder360