Após palestra sobre educação sexual, estudantes do Premen relatam ter sofrido abusos
Somente até a primeira quinzena de maio, Itabira já havia registrado 18 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes

A falta de diálogo sobre sexualidade, que geralmente é cercada de tabus e desinformação, contribui para manter crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. No entanto, quando o tema é discutido pela família, escola e demais setores, o conhecimento é capaz de esclarecer, conscientizar e até mesmo revelar traumas ocultos que não eram entendidos como violência e abuso sexual. Foi o que aconteceu na tarde desta quarta-feira (31), na Escola Trajano Procópio de Alvarenga Silva Monteiro (Premen), onde após uma palestra desenvolvida pela Escola do Legislativo junto à direção da escola, estudantes fizeram relatos espontâneos sobre possíveis abusos e violências sexuais que teriam sofrido.
A palestra faz parte do calendário de ações do Maio Laranja, mês de combate à violência sexual das crianças e adolescentes. Na ocasião, foi realizado um bate papo com alunos do 8º ano do ensino fundamental, de forma leve, lúdica e tratando a sexualidade sem deturpações. Durante o encontro, os estudantes foram ensinados sobre o tema, interagiram, fizeram perguntas e receberam uma cartilha de combate ao abuso e exploração sexual.
O bate papo foi ministrado por Marina Pinto Coelho Magalhães, terapeuta ocupacional, Mestre em Educação em Saúde e Diretora da Rede Internacional Infância Protegida em Itabira. Junto dela, estava Pâmela Mara de Almeida Furtado, bacharel em Serviço Social , integrante da Rede e Educadora Master Esepas (Educação sexual, emocional e de prevenção ao abuso sexual).

Ao fim do encontro, as palestrantes receberam relatos espontâneos de alunas sobre possíveis abusos, onde logo em sequência partiram para o encaminhamento com a direção escolar, que deverá encaminhar os responsáveis e possíveis envolvidos para o programa fluxo integrado de atendimento às crianças vítimas de violência sexual.
Fluxo integrado
A Prefeitura de Itabira, em parceria com o Ministério Público de Minas Gerais, apresentou neste mês de maio, o fluxo integrado de atendimento às crianças vítimas de violência sexual no município. Essa nova organização de acolhimento, que envolve Saúde, Educação, Assistência Social, Esporte e Lazer e Conselho Tutelar, garante proteção às crianças e adolescentes que foram abusadas sexualmente, além de assegurar que elas não sofram revitimização. O atendimento agora define o Hospital Municipal Carlos Chagas (HMCC) como referência no atendimento às vítimas e também como instituição orientadora sobre o tema.
Entenda o fluxo com o gráfico abaixo

Mesmo com subnotificação, casos em Itabira são alarmantes
Somente até a primeira quinzena de maio, Itabira já havia registrado 18 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. A informação foi dada pelo delegado da Polícia Civil, João Martins Teixeira, em entrevista à DeFato, no Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. De acordo com o delegado, 90% dos inquéritos já foram concluídos e quatro pessoas foram presas.
João também ressaltou que apesar de tudo, os números não refletem a realidade de Itabira. Estima-se que 90% dos casos não são denunciados, e por muitas vezes, acontecem dentro do próprio círculo familiar ou de convívio das vítimas. De acordo com a Secretaria de Assistência Social, atualmente 60 crianças estão sendo acolhidas e acompanhadas pelos servidores da pasta.
‘‘Nossa realidade está muito triste, infelizmente o número [de casos] em Itabira é muito alto. Já foram 18 crimes notificados, sendo que estatisticamente, somente 10% dos casos acabam sendo denunciados. Temos que fazer este trabalho para alcançar essas pessoas e descobrir outras situações de violência, para fortalecer as possíveis vítimas e contribuir para que mais pessoas entendam o que é o abuso. Muitas vezes estas situações são normalizadas e as vítimas nem conseguem se perceber violentadas’’, lamentou a vereadora Rosilene Félix (MDB), que esteve presente na palestra, junto do vereador Weverton Andrade ‘‘Vetão’’ (PSB).
Denúncias
Denúncias podem ser feitas pelo canal do Ministério dos Direitos Humanos (100), da Polícia Civil (197), pelo disque denúncia (180), com a Polícia Militar (190), ou com o Ministério Público (127) e o Conselho Tutelar de Itabira (31 3839-2211).





