Artigo: Mineração, Turismo e História
Nosso Estado tem em seu próprio nome uma atividade econômica: a mineração. Em um primeiro momento, essa atividade nos deixou um legado artístico, cultural e arquitetônico de beleza única, culminando hoje em três Patrimônios Culturais da Humanidade: O Santuário de Bom Jesus de Matozinhos com os profetas de Aleijadinho, em Congonhas, e os centros históricos […]

Nosso Estado tem em seu próprio nome uma atividade econômica: a mineração. Em um primeiro momento, essa atividade nos deixou um legado artístico, cultural e arquitetônico de beleza única, culminando hoje em três Patrimônios Culturais da Humanidade: O Santuário de Bom Jesus de Matozinhos com os profetas de Aleijadinho, em Congonhas, e os centros históricos de Ouro Preto e Diamantina. O Ciclo do Ouro nos deixou o Barroco e as cidades históricas mineiras, que juntas somam mais da metade de todo o patrimônio artístico e arquitetônico tombado no Brasil.
Três séculos depois, a mineração continua representando a principal atividade econômica de nosso Estado. A Associação das Cidades Históricas, juntamente com a Universidade Federal de Ouro Preto e a Unesco, criaram em 2018 o Fórum Estadual de Sustentabilidade nas Cidades Históricas de Minas Gerais, estruturado com palestras, debates, minicursos e visitações, com o objetivo central na preservação e valorização do patrimônio histórico, cultural e ambiental das cidades históricas mineiras.
Idealizado para ser itinerante, o Fórum vai passar pelas 30 cidades pertencentes à Associação, enfocando sempre a troca de conhecimento e experiências acerca do potencial turístico, cultural e ambiental de cada cidade e região, patrimônio esse que é único no mundo. No mês de julho ele se realizará nos dias 11 e 12 em Ouro Preto.
É importante destacar que as Cidades Históricas têm um grande potencial turístico e necessita de iniciativas sólidas e permanentes para serem desenvolvidas em parcerias com as instituições de ensino, órgãos governamentais que desenvolvem políticas públicas e a sociedade civil organizada. Esse é o grande desafio que assola a maior parte das cidades mineradas de nosso Estado, muitas delas históricas.
A quase totalidade desses municípios se tornaram dependentes da extração minerária e muitos não sobreviveriam sem a arrecadação tributária advinda da mineração, perdendo assim uma outra vocação natural: o turismo. Minas Gerais é um Estado do ouro e é assim que ele deve ser tratado e considerado, e não como um depósito de lama e palco de repetidos acidentes e crimes ambientais.
Artigo publicado na edição nº 60, de junho de 2019, do jornal “Cidades Mineradoras”