Artur Jorge explica substituições de Gerson, Matheus Pereira e Kaio Jorge e permanência de Villalba

Treinador do Cruzeiro detalhou as decisões tomadas após a expulsão do lateral e assumiu responsabilidade pelas escolhas feitas na derrota para o Atlético

Artur Jorge explica substituições de Gerson, Matheus Pereira e Kaio Jorge e permanência de Villalba
Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

A maneira como o Cruzeiro reagiu à expulsão de Villalba foi um dos principais pontos de questionamento a Artur Jorge após a eliminação para o Atlético na Copa do Brasil. Quando o lateral recebeu o segundo cartão amarelo, aos 15 minutos do segundo tempo, a Raposa vencia por 1 a 0. Com um jogador a menos, o treinador retirou Gerson, Matheus Pereira e Kaio Jorge e reformulou a equipe para tentar proteger o resultado. A estratégia não funcionou, e o Atlético aproveitou a superioridade numérica para virar o clássico por 2 a 1.

As escolhas de Artur Jorge, no entanto, começaram a ser discutidas antes mesmo da expulsão. Villalba já havia sido advertido no primeiro tempo e, ainda assim, permaneceu em campo na etapa final. O treinador explicou que não considerou o cartão amarelo, por si só, motivo suficiente para retirar o jogador, especialmente porque outros atletas também estavam pendurados.

Segundo Artur Jorge, a equipe precisava saber administrar os jogadores advertidos em campo. Ele citou Kaio Jorge e Otávio para justificar por que não adotou uma estratégia de retirar todos os atletas que já tinham recebido cartão.

“Nós temos que saber lidar enquanto equipe com aquilo que são os cartões amarelos, porque senão seria muito difícil o jogo de hoje. Nós fizemos 13 faltas e tivemos sete cartões amarelos e, portanto, nós temos também que confiar naquilo que acreditamos que estamos fazendo e da forma que nós chegamos hoje. E teria que tirar o Kaio, o Otávio e o Villaba se fosse pela questão do cartão amarelo. Nós fizemos uma substituição direta três, quatro minutos antes, por desgaste do Wesley, mantendo a mesma característica dos jogadores como o Kenji naquele lado esquerdo”, explicou.

A avaliação se tornou mais complicada depois que Villalba cometeu nova falta em Cuello e recebeu o segundo amarelo. Com o Cruzeiro reduzido a dez jogadores, Artur Jorge precisou reorganizar o time para os mais de 30 minutos restantes.

Foi nesse momento que Gerson pediu para deixar a partida, alegando desconforto. A saída do meio-campista levou o treinador a mexer na estrutura da equipe. Matheus Henrique entrou em seu lugar, enquanto Kaique Kenji passou a ter uma função de recomposição e velocidade pelo lado esquerdo.

Na sequência, Matheus Pereira e Kaio Jorge também foram substituídos. Rojas e Néiser Villarreal entraram com a missão de dar mais fôlego ao Cruzeiro, principalmente para aproveitar os espaços em contra-ataques e tentar impedir que o Atlético sufocasse a equipe.

Artur Jorge explicou que a intenção era transformar o Cruzeiro em uma equipe mais compacta sem abrir mão de jogadores capazes de atacar em velocidade.

“Quando sofremos a expulsão, tínhamos uma substituição para fazer, faltava 30 minutos para o fim do jogo. Tivemos um pedido do Gerson para sair, estava com um desconforto e pediu para sair, tínhamos que agir imediatamente. Nossa ideia foi trocar um lateral, trocar diretamente a posição do Gerson pelo Matheusinho, e o Kenji, que poderia fazer o corredor esquerdo e poderia fechar a equipe numa linha de cinco quando o adversário estivesse mais perto da nossa área, mantendo três homens capazes daquilo que o jogo ia nos proporcionar que eram transições rápidas, ter homens rápidos na frente para ganhar nas costas da defesa adversária, tentar ter verticalidade com esses três homens e podermos, dessa forma, olhar para a equipe num 5-3-1, mas que se desdobrasse de uma forma que desse para manter os três homens na frente e dois meias. Tínhamos que tomar decisões em relação aos 30 minutos de jogo que tínhamos e tentar manter a equipe viva no jogo”, explicou.

Mudanças não seguraram o Atlético

O desenho pensado pelo treinador não conseguiu impedir o crescimento do adversário. Com um jogador a mais, o Atlético passou a ocupar mais o campo de ataque e aumentou a pressão sobre a defesa celeste.

Aos 32 minutos, Fred encontrou Victor Hugo na área, e o meia finalizou para empatar. O Cruzeiro ainda conseguiu resistir por alguns minutos, mas Fred voltou a aparecer nos minutos finais para marcar o gol da virada.

Além de explicar as mudanças, Artur Jorge rejeitou a ideia de que a eliminação possa ser resumida à expulsão de Villalba ou a uma única escolha feita durante o clássico. “Parece-me injusto reduzir a análise do jogo a um lance isolado. Em relação à saída das peças de maior refino técnico, repito: o Gerson pediu para sair por desgaste. A entrada do Matheus foi a minha única alteração puramente tática, buscando adicionar fôlego para atacar as costas da defesa. Já o Kenji foi acionado com a função de nos dar escape rápido e, ao mesmo tempo, compactar a marcação”, afirmou.

O treinador reconheceu, porém, que decisões tomadas durante uma partida sempre podem ser revistas posteriormente e assumiu a responsabilidade pelas escolhas feitas.

“Agora será mais fácil dizer que tivemos ali um cartão amarelo, mas volto a dizer, não tinha que o fazer imediatamente, porque não o fiz com o Otávio, com quem joga. Pode-se dizer que defensivamente estávamos mais expostos, sendo que é um lateral, não atacante, talvez. Mas são decisões que me compete tomar durante os 90 minutos e em todas elas eu posso dizer que podemos sempre fazer melhor. Ninguém ganha os jogo, por lá [lado esquerdo], nenhum. Os jogos se ganham no seu coletivo, naquilo que é a forma de como a equipe se movimenta dentro de campo”, argumentou.

Ao final, Artur Jorge reforçou que a responsabilidade pelas decisões tomadas durante a partida é dele, mas defendeu a necessidade de manter confiança no modelo de trabalho.

“O elenco precisa saber administrar o peso de jogar pendurado. Não podemos perder a confiança no nosso modelo. Se o critério de substituição fosse apenas o cartão, eu seria obrigado a sacar o Kaio Jorge, o Otávio e o Villalba de uma só vez. Fizemos uma troca apenas quatro minutos antes da expulsão. É fácil ser engenheiro de obra pronta e criticar a manutenção do Villalba, mas adotei exatamente a mesma postura com o Kaio e funcionou. O ônus dessas escolhas nos 90 minutos é meu. Há sempre margem para evolução, tanto nos acertos quanto nos erros, mas a premissa é clara: ganhamos e perdemos juntos”, declarou.