Audiência pública debate situação do aglomerado Drummond e líder comunitário se diz mais seguro

Audiência pública ocorreu na tarde desta quinta-feira, 28 de abril

Audiência pública debate situação do aglomerado Drummond e líder comunitário se diz mais seguro
A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou uma audiência pública em Itabira na tarde desta quinta-feira, 28 de abril, para discutir a situação da comunidade Carlos Drummond de Andrade, conhecida popularmente por aglomerado Sem-Terra. O encontro, ocorrido no auditório do Sindicato dos Rodoviários, durou cerca de duas horas e houve espaço para fala de moradores, advogados e representantes da Prefeitura e da Câmara de Vereadores. No fim da audiência, o presidente da Associação Comunitária do Drummond, Adílson Gualberto, disse estar mais seguro de que soluções serão encontradas.

 

Apenas o deputado estadual Paulo Lamac (PT) esteve presente à audiência. Ele disse que os outros dois membros da comissão, Carlin Moura (PCdoB) e Durval Ângelo (PT) tiveram compromissos inadiáveis que os impossibilitaram de vir a Itabira. Além dele, completaram a mesa de autoridades a secretária municipal de Ação Social, Maria das Graças Carvalho Lima, o procurador jurídico da Prefeitura, Gilberto Magalhães, o presidente da Associação do Drummond, Adílson Gualberto, o advogado da comunidade, Carlos Gueiros, o representante da Diocese Itabira-Coronel Fabriciano, padre José Geraldo, o presidente da Câmara Tãozinho Leite (PP) e o vereador Tião da Antena (PP).

 

A primeira parte da audiência foi destinada à participação popular. O advogado do grupo Brigadas Populares, Joviano Mayer, afirmou que ilegal não são as pessoas que invadiram as terras, mas a forma que querem expulsá-los, inclusive com força policial. “Essas pessoas estão nesse local por necessidade, não porque querem. Quem está errado é o proprietário que deixou uma terra boa como aquele improdutivo por tanto tempo”, afirmou.

 

Alguns moradores cobraram participação do prefeito João Izael Querino Coelho (PR) em favor dos moradores do Sem-Terra. Alan Rafael, conhecido como Alan do Sem Terra, exclamou que nenhum prédio será construído no terreno onde o aglomerado está (a intenção da família Rosa é dividir o terreno em lotes e vendê-los). “Vai ficar para o povo. Aquela área é do povo e para o povo vai ficar”, exclamou.

 

O padre José Geraldo disse que a Diocese apoia a causa dos moradores e orientou que eles não aceitem promessas de moradias, mas que lutem pelas que já têm. “Essa cidade não tem moradias para vocês. Vocês não são mais sem-terra, já têm terra e já têm casa”, afirmou o religioso.

 

O presidente da Associação do bairro Drummond, Adilson Gualberto, afirmou que a comunidade está inquieta, mas unida em buscar soluções. Ele cobrou que haja mais igualdade social em Itabira e enfatizou que todos os moradores pagam pela água e luz que consomem mensalmente. “Ninguém faz gato por lá. Todos vivemos como qualquer outro morador de Itabira”, declarou.

 

Soluções    

 

Joviano Mayer afirmou que soluções podem surgir tanto do Executivo quanto do Legislativo municipais. De acordo com ele, basta que a área onde está a comunidade Drummond seja considerada de utilidade pública, o que permitiria desapropriá-la da família Rosa e que os ocupantes continuassem por lá.

 

O presidente da Câmara, Tãozinho Leite, depois de ser muito cobrado pelos participantes da audiência, disse que o Legislativo está disposto a ajudar em tudo que for amparado pela legalidade.

 

Da mesma maneira, o procurador jurídico da Prefeitura, Gilberto Magalhães, afirmou que é vontade do prefeito João Izael quer uma solução que seja segura e definitiva. “Não adianta tomar atitudes paliativas que, no futuro, vão trazer novos problemas aos moradores”, defendeu.

 

Gilberto comentou que no dia 10 de maio uma comissão dos moradores vai se reunir com representantes do Poder Público. Até essa data, os moradores vão reunir dados importantes para que um parecer seja entregue ao chefe do Executivo e soluções definitivas possam ser colocadas em prática. Um encontro já ocorreu na manhã desta quinta-feira, na Prefeitura, mas nenhuma das partes quis adiantar o que foi discutido. Apenas disseram que houve um início de entendimento. A secretária Maria das Graças comentou que foi vista uma “luz no fim do túnel”.

 

Depois da audiência, o presidente da Associação do bairro Drummond falou em segurança. “Claro que não estamos cem por cento seguros, porque ainda não temos nada definido. Mas, depois de hoje, vimos que o Poder Público está disposto a nos ajudar e isso nos anima”, afirmou Adílson Gualberto.