Auro Gonzaga busca terceiro mandato no Sintsepmi prometendo lutar pelo cumprimento de direitos e planos de carreira

Enquanto outras chapas apostam na renovação do Sintsepmi, Auro Gonzaga defende que a continuidade, desta vez, representaria consolidar avanços

Auro Gonzaga busca terceiro mandato no Sintsepmi prometendo lutar pelo cumprimento de direitos e planos de carreira
Foto: Guilherme Guerra/DeFato
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Com mais de três décadas no serviço público e duas gestões à frente do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos Municipais de Itabira (Sintsepmi), Auro Roberto Gonzaga volta às eleições sindicais com uma proposta central: dar continuidade a um projeto que, segundo ele, ainda tem muito a entregar aos servidores municipais. 

Auro ingressou na Itaurb em 1993, aprovado em concurso público. Ao longo de 32 anos como rondante, tornou-se figura frequente em assembleias, reuniões e debates sobre condições de trabalho, responsabilidade que mais tarde o levou à Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), da qual participou por quatro mandatos. Seu envolvimento o conduziu, em 2004, à primeira chapa vitoriosa no sindicato, onde ocupou o cargo de delegado. Já a partir de 2013, assumiu postos de maior liderança, culminando na presidência do Sintsepmi por dois mandatos consecutivos. Agora, disputa um terceiro, alegando que o ciclo de mudanças necessárias está longe do fim: “Temos muitas demandas relativas aos servidores. Nossa luta não pode parar”, defende.

Enquanto outras chapas apostam na renovação, Auro defende que a continuidade, desta vez, representaria consolidar avanços, aprofundar frentes jurídicas e destravar pautas que exigem maturação política. Ao lado de Gláucia Andréa da Silva Andrade, candidata à vice-presidência, e da primeira-secretária Priscila Miranda Xavier da Costa (ambas servidoras da Secretaria Municipal de Saúde) o atual presidente afirmou em entrevista à DeFato que a chapa pretende avançar em pautas históricas da categoria, interrompidas ou fragilizadas nos últimos anos.

As prioridades da chapa

Na avaliação de Auro, o principal gargalo histórico da administração pública municipal permanece o mesmo: o cumprimento efetivo do Plano de Cargos, Salários e Vencimentos (PCSV). Apesar da atualização realizada em 2023 e 2024, ele afirma que revisões já se mostram necessárias. Desta forma, a proposta central da chapa inclui a revisão e cumprimento integral dos planos de cargos e salários da prefeitura, do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), da Itaurb, Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDa), além das Agentes Comunitárias de Saúde (ACS’s) e Agentes de Combate às Endemias (ACE’s)

Outros objetivos citados pelo candidato são a manutenção e criação de ações jurídicas estruturantes, como a implantação obrigatória de programas e laudos de segurança (PGR, PCMSO e LTCAT) e a defesa da saúde mental do servidor, diante do aumento de denúncias de assédio moral e processos administrativos

Auro também afirmou que também quer propor ações específicas por setor, reconhecendo peculiaridades e carências nas áreas operacional, educativa e assistencial. Como exemplos críticos, o sindicalista citou “condições insalubres de trabalho” na Itaurb, riscos enfrentados por operadores das Estações de Tratamento de Água (ETA) e Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) do Saae, professores lidando com o aumento de conflitos escolares, além de merendeiras e auxiliares de creche que, em sua avaliação, estão sobrecarregadas.

“Nenhum setor será ignorado”, afirma.

Foto: Guilherme Guerra/DeFato

Ao ser questionado sobre a descrença de parte da classe ao Sintsepmi, o atual presidente disse que um dos maiores desafios colocados é recuperar a confiança perdida de servidores desfiliados. Ao falar sobre a causa desse movimento, o presidente atribui ao que chama de práticas anti-sindicais. Segundo Auro, a reforma trabalhista de 2017 enfraqueceu os sindicatos ao reduzir sua atuação em desligamentos, negociações e homologações, abrindo espaço para acordos individuais, algo que, segundo ele, prejudica o trabalhador. Para reaproximar a categoria, a chapa pretende aumentar o número de diretores liberados no sindicato, intensificar o contato nos locais de trabalho e estabelecer canais permanentes de atendimento e acompanhamento.

“A categoria só terá um sindicato forte se estiver dentro dele”, diz Auro.

Cartão-alimentação e plano de saúde seguirão em discussão

Recentemente, os servidores públicos de Itabira estiveram em greve. A paralisação geral estava ocorrendo após alterações do Executivo no benefício do cartão-alimentação dos servidores, que passou a ser concedido com base em faixas salariais, e pelo aumento do desconto do plano de saúde – que subiu de 3% para 4%. Mesmo após negociações e reuniões de representantes do Sintsepmi, funcionários públicos e a prefeitura, ficou definido que, no momento, tais mudanças serão mantidas. 

A partir daí também foi instalada uma mesa de discussão permanente entre a prefeitura e o sindicato, onde segundo o secretário de Administração, Paulo Henrique Gomes, “o ambiente tem sido de respeito entre as partes, com o objetivo de estabelecer um canal duradouro de diálogo”. Questionado sobre o escopo das negociações, o secretário explicou que, em um primeiro momento, questões econômicas (como vale-alimentação e plano de saúde) não estão na pauta, mas poderão ser discutidas posteriormente. “No momento, o foco está em temas como condições de trabalho, possibilidade de home office em setores específicos e outras melhorias que não envolvam necessariamente aspectos financeiros”, disse.

Ao ser questionado sobre a efetividade do canal de diálogo e de que forma pretende garantir que questões como o cartão-alimentação e o plano de saúde voltem a ser discutidas, ele respondeu que o tema não saiu da pauta do Sintsepmi e continuará em discussão. Além disso, Auro afirmou que falta transparência por parte da gestão municipal na discussão.

“Nunca recebemos os documentos completos que justificariam o corte. Se não há dinheiro para o cartão, como explicar terceirizações e consultorias?”, disse. 

Foto: Guilherme Guerra/DeFato