Bancos diminuem juros e aumentam opções para financiar curso superior
O ano letivo de 2010 começa com novidades para quem busca uma forma de custear os estudos, sobretudo o ensino superior. Programas do governo, financiamento bancário e até consórcio podem garantir o pagamento do curso em meio a tantas contas e gastos extras acumulados este mês. A Caixa Econômica Federal reduziu os juros dos contratos […]
A Caixa Econômica Federal reduziu os juros dos contratos do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) para 3,5% ao ano. “As taxas chegavam a 9% ao ano”, diz o superintendente regional em exercício da instituição, Marx Fernandes dos Santos. A notícia também é boa para quem já paga o Fies. “A redução é automática a partir da próxima emissão de prestação, não sendo necessário que o cliente compareça a uma agência para ser beneficiado”, avisa. As condições são bem mais atrativas que o crédito fornecido a pessoas físicas pelo próprio banco, de 4,04% ao mês.
“O estudante precisa procurar a instituição de ensino, que tem de ser habilitada pelo Ministério da Educação (MEC), e participar do processo de seleção. A questão que mais pesa é a condição socioeconômica comprovada”, afirma Santos. Este ano, a Caixa deixou de ser a única operadora do Fies, com a entrada do Banco do Brasil (BB), conforme anúncio feito na sexta-feira. As condições são as mesmas: o valor financiável pode chegar a 100% e o prazo de financiamento, ampliado a três vezes o período do curso, com o limite de 222 meses. “Se eu tenho desconto, por exemplo, de 50% na mensalidade por quatro anos, vou poder quitar o montante em 12 anos”, exemplifica o superintendente da Caixa. O início das amortizações se dá depois de 18 meses da conclusão da graduação.
Desde sua criação, em 1999, o Fies beneficiou mais de 500 mil estudantes. Atualmente, são 480 mil contratos ativos, em 1,5 mil instituições de ensino superior. O valor total operado é de R$ 5,5 bilhões. A universitária Elaine Cristina da Silva, 27 anos, vai se formar em relações públicas nestse semestre com a ajuda do fundo. “Tentei o Fies desde que entrei na faculdade e consegui no quarto período. Não teria como completar o curso sem o desconto de 50% na mensalidade”, diz. Para custear o início do curso, ela teve que retirar algumas matérias da grade curricular para arcar com o pagamento mensal. “Eu trabalhava como assistente de auditoria de um shopping e o salário não era suficiente para o pagamento integral. Foi aí que vi a necessidade de buscar o Fies. Na minha sala, muita gente também conseguiu”, conta.
Outra possibilidade é o consórcio. “Se a necessidade do dinheiro não for imediata, o consórcio é vantajoso, já que as taxas são menores que as de financiamento bancário”, afirma o diretor executivo da Rodobens Consórcio, Sebastião Cirelli. Segundo ele, pesquisa feita a partir da entrada em vigor da Lei dos Consórcios, em 2009, identificou a demanda para educação. “Na prática, a pessoa que deu o lance ou foi sorteada pega o crédito e pode negociar com a instituição de ensino o pagamento à vista do curso, podendo até conseguir um bom desconto”, diz. No caso da Rodobens, os créditos disponíveis variam de R$ 4 mil a R$ 38 mil e o prazo de pagamento é de 12, 24, 36 ou 48 meses. As taxas de administração variam de 0,37% a 1,19% ao mês, dependendo do prazo e valor da fatura, sem contar outros encargos.
No cenário em que o valor das mensalidades nem sempre é compatível ao orçamento do aluno, os bancos ganham espaço. O Santander revelou ao Estado de Minas que uma linha específica para custear a educação está em fase piloto, com previsão de lançamento no segundo semestre. Para ter acesso, o estudante vai poder financiar 100% do valor do curso nas universidades conveniadas ao banco. O prazo de pagamento será o dobro do tempo do curso. As taxas de juros ainda não foram definidas. O Itaú Unibanco oferece o crédito universitário, em que o aluno paga a metade da sua mensalidade e o resto fica para depois de formado. O banco explica que o valor de cada mensalidade paga é dividido em duas parcelas. Seis mensalidades de R$ 600, por exemplo, são dividadas em 12 parcelas de R$ 348. A instituição de ensino precisa ser conveniada. As taxas dependem do valor financiado e prazo de pagamento. O Bradesco informou que não tem linha específica para educação.