Cães por todo lado

“Onde ficam cinco, ficam dez, ficam 15, ficam 25”, diz Ângela

Cães por todo lado
Criar 50 cachorros em casa pode parecer loucura, mas é a principal paixão de Ângela Dezidério, 53 anos. Amante de animais – em especial os cachorros –, Ângela trata seus cãezinhos como filhos. Em sua residência, na rua Água Santa, região central de Itabira, ela montou um pet shop. Ao todo, chegam a frequentar o local, entre “anfitriões” e “hóspedes”, cerca de 70 animais.
 
Criada em uma fazenda no interior do Rio de Janeiro, Ângela acha mais fácil lidar com cachorros do que com seres humanos. Para ela, os animais são prioridade. “Meus filhos não entram no meu quarto, mas os cachorros sim”.
 
No momento em que concedia a entrevista, Ângela estava cansada por ter passado a madrugada anterior fazendo o parto de uma de suas várias cadelas, a mais nova mãe de quatro filhotinhos. Enquanto conversava com a reportagem, o simpático cão Guilherme, já ancião, aos 18 anos de vida, recepcionava os clientes que chegavam ao Pet Shop de Ângela.
 
Obsessão
A chegada em Itabira foi aos 20 anos. Os três primeiros cães foram presentes do irmão. Pouco tempo depois, ela adquiriu mais três filhotes da raça Yorkshire. Ângela recorda que o irmão ficou irritado por ela ter gastado todas as suas economias na compra de cães. “Eu não compro qualquer cachorro, temos que ter uma empatia. Sinto quando algum me escolhe”, justifica.
 
Quando os seis cachorros tiveram filhotes, o irmão imediatamente exigiu que ela se desfizesse de alguns – o que a deixou doente emocionalmente. “Onde ficam cinco, ficam dez, ficam 15, ficam 25”, argumentou.
 
Muitos dos cachorros que hoje ela tem foram recolhidos na rua. Sem fazer distinção, cuida de Yorkshires, Mini-Yorkshires, Shitzus, Pugs, Malteses, Poodles e Poodles Toy. A cada cria, a proprietária fica com alguns filhotes e vende outros. “Entrego-os com banho tomado e com a condição de que eu não perca o contato com eles. São, ainda tratados como hóspedes VIP, caso precisem de algum serviço do meu pet shop”, acrescenta.
 
Ângela tem a ajuda do marido Aílton para gerenciar o local e cuidar dos bichos de estimação. Conta ainda com o apoio do neto Arthur que, embora tenha apenas seis anos, já decidiu que vai ser veterinário. “Também quero ter em casa mais de 20 cachorros”, diz o garoto.
 
Sobre a razão de admirar mais os cachorros do que seres humanos, Ângela é convicta: “Eles são os melhores amigos do homem, pois não te cobram nada, não jogam nada na sua cara, não tem ódio e estão sempre presentes”, concluiu.