Câmara aprova regime de urgência para projeto sobre anistia

O placar de votação foi de 311 favoráveis ao requerimento contra 163 que se opuseram

Câmara aprova regime de urgência para projeto sobre anistia
Plenário da Câmara define urgência na votação do projeto de Lei da anistia- Foto: Bruno Spada/ Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (17), o requerimento de urgência para o Projeto de Lei 2162/23, que anistia os participantes de manifestações de 8 de janeiro de 2023.

A decisão dos parlamentares visa acelerar a tramitação do projeto sem que tenha que passar por comissões, e agora poderá ser votado direto no plenário.

Articulada por líderes da oposição junto ao presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), o projeto enfrentou resistência dos governistas e por fim entrou na pauta de votação.

O placar de votação foi de 311 favoráveis ao requerimento contra 163 que se opuseram, mas, o texto ainda não foi definido.

Para aprovar a urgência, a Câmara usou um projeto do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), que já estava pronto e serviu de base para um texto definitivo.

Hugo Motta informou que haverá discussões para aperfeiçoamento da redação.

Veja o texto do deputado Crivella
“Ficam anistiados todos os que participaram de manifestações com motivação política e/ou eleitoral, ou as apoiaram, por quaisquer meios, inclusive contribuições, doações, apoio logístico ou prestação de serviços e publicações em mídias sociais e plataformas, entre o dia 30 de outubro de 2022 e o dia da entrada em vigor desta lei”.
O texto não define se o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está incluso no perdão.

Bolsonaro foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, mas nos bastidores, comenta-se que o projeto vai diminuir as penas e não perdoar as penas, incluindo o ex-presidente.

Sobre o projeto aprovado, o presidente da Câmara Hugo Motta disse:

“O trabalho desta presidência, em o requerimento sendo aprovado será construir, com o futuro relator, um trabalho que traga pacificação ao país. Não se trata de apagar o passado, mas permitir que o presente seja reconciliado e o futuro construído em bases de diálogo e respeito. Há temas urgentes pela frente e o Brasil precisa andar”.

Deputados do governo divergem da decisão.

O deputado Lindbergh Farias, líder do PT, disse: “É um dia triste para a democracia brasileira. Em um momento em que as instituições deveriam ser fortes, vimos o contrário ali dentro, uma rendição a esses golpistas“.

O projeto, segundo a redação aprovada e não finalizada não contempla os seguintes casos:

Tortura, tráfico de drogas, terrorismo e crimes hediondos;

Crimes contra a vida (homicídio);

Crimes específicos do Código Penal: lesão corporal; perigo de desastre ferroviário; incêndio, explosão;

Infrações disciplinares cometidas por servidores ou agentes de segurança pública;

Doações acima de R$ 40 mil feitas para atos ou manifestações politicas/eleitorais, além de infrações disciplinares cometidas por servidores públicos ou agentes de segurança com motivação política.

O texto amplia a anistia às multas aplicadas pela Justiça Eleitoral ou pela Justiça Comum contra pessoas físicas ou jurídicas ligadas aos atos mencionados.

Hugo Motta deverá indicar um novo relator, e um dos nomes mais cotados é o do Paulinho da Força Sindical (SD-SP), por sua proximidade com o STF e com o Centrão.

*Fonte: G1