Sem idade para o conhecimento

Franklin, 81 anos, sua esposa Maria Geralda, 68 anos e Terezinha, 65 anos. Juventino estava no trabalho

Sem idade para o conhecimento

Durante três anos, das 19h às 21h30, eles estiveram diariamente na sala de aula. Aprenderam matemática, português, história, geografia, fizeram redações, tarefas e trabalhos em grupo. Tudo isso pode parecer normal na vida de muitos estudantes. A diferença neste caso é que se trata da rotina de quatro guerreiros que já passaram dos 65 anos e voltaram à sala de aula simplesmente pela vontade de aprender.

Terezinha Gonçalves Vieira, 65 anos, seu marido Juventino Teodoro Vieira, 76 anos, junto aos colegas Maria Geralda Ferreira Martins, 68, e seu esposo Franklin Flaviano Martins de 81, se formaram no ensino fundamental em dezembro de 2012, pelo Educação Jovens e Adultos (EJA), lecionado no Colégio Nossa Senhora das Dores (CNSD), em Itabira. O quarteto provou que não há idade para realizar o que se quer.
 
Juntos, ao lembrar das aulas e de tudo que aprenderam, durante a entrevista os olhos brilhavam e o sorriso dificilmente saia dos lábios. O sentimento é de orgulho e saudade de tudo que viveram durante este período. Terezinha havia parado de estudar, quando morava em Oliveira Castro, ainda criança. Seu marido, Juventino, havia se matriculado no EJA e a chamou para estudar com ele. Sem pensar duas vezes, ela aceitou. “Achei que não ia dar conta, porque o estudo de hoje é muito diferente do de antigamente, mas eu gostei muito, levei a sério e realizei um sonho. Estou muito feliz”.
 
Ela conta que ambos encontraram incentivos dos familiares e principalmente dos filhos, que no momento em que eram solicitados sempre estavam dispostos a ajudar em algum trabalho escolar.“É preciso ter força de vontade e não desanimar. O resultado vale muito a pena. Estamos muito felizes e nossos filhos orgulhosos”, afirma.
 
Juventino, aos 76 anos ainda trabalha durante todo o dia em uma empreiteira. Do serviço, ele parava na rodoviária, trocava de roupa e ia direto para a escola. A força de vontade o impulsionava a cada dia.
 
Maria Geralda descreve a sua formatura como um sonho realizado. A iniciativa de estudar partiu dela, após uma conversa com uma professora do EJA, que estava em uma confraternização na casa de sua filha. “Sempre quis voltar a estudar. Quando ela comentou do EJA me interessei e chamei meu marido que também se entusiasmou a estudar comigo. É bom para o despertar da mente. Realizei um sonho”.
 
O casal disse que aprendeu não apenas matérias escolares, mas lições de vida. Fizeram amizades, tiveram incentivo do colégio Nossa Senhora das Dores, dos professores que sempre os estimulavam, dos filhos e até dos netos. “Fizemos novos colegas e sempre recebemos muito carinho de todos”, disse Maria Geralda.
 
Franklin, neste último ano, ainda fez tratamento de saúde, mas com força de vontade e muita dedicação não deixou que isso prejudicasse seus estudos e conseguiu se formar.
 
Na turma em que estudaram durante os três anos havia pessoas de várias idades, e segundo eles, muitos jovens desistiram de continuar. “Na idade em que estou tenho ânimo pra tudo. Sentia prazer em vir estudar como se fosse uma adolescente. Ainda passamos com boas notas”, enfatizou Maria Geralda.
 
Para os jovens que estão desestimulados com os estudos e para os adultos e idosos que acham que não são capazes de voltar a escola, eles dizem que nunca é tarde para recomeçar e os jovens precisam agarrar as oportunidades que só aparecem através dos estudos e da educação.
 
Se engana quem pensa que eles pararam por aqui. Maria Geralda já está matriculada para começar o Ensino Médio. O mesmo fará Terezinha junto com o esposo e uma amiga. A sede de aprender ultrapassa o limite de qualquer idade.

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