A educação familiar e escolar no Brasil
José Antônio Reis Lopes, empresário, bacharel em Administração de Empresas e ex-presidente da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agropecuária de Itabira (Acita)
Jose Antônio Lopes
Sonhamos com um Brasil desenvolvido, uma economia forte e sustentável, que cada brasileiro possa com o seu trabalho ter a sua moradia, alimentar sua família, ter boa escola pública para seus filhos, assistência médica de qualidade, segurança e transporte.
Esse sonho será possível com planejamento dos governos e ampla participação da sociedade a médio e longo prazo. Uma pátria se faz com a qualidade de seus homens. Aqui abordamos dois pilares fundamentais para a construção desta qualidade: família e escola. Vemos no Brasil uma situação crítica, a família vai mal e a educação escolar pública há anos é considerada uma das piores do mundo.
É na educação familiar que começa a qualidade dos homens, desde as condições básicas de sobrevivência aos valores morais e princípios que nortearão a vida dos futuros cidadãos. Às famílias, falta em grande parte a participação do pai, e muitas vezes a da mãe. Daí, de onde vir a tão necessária e indispensável educação familiar? Tudo isso está muito claro aos nossos olhos, e ninguém, com exceção de algumas igrejas, discute o problema. Situação agravada pela falta de condições mínimeas e dignas de moradia. Questões que também afeta pesadamente as situações da segurança. Que qualidade de cidadão estamos construindo?
A escola é o outro pilar, onde se constrói a base do conhecimento. Vemos uma escola da pior qualidade, com professores mal preparados, mal remunerados, constrangidos pelo mau comportamento de seus alunos chegando a serem agredidos moralmente e até mesmo fisicamente. Como pensar em motivação para que possam render o seu máximo. Isso, sem falar no método inadequado de ensino, no desaparelhamento e condições mínimas de funcionamento desses estabelecimentos escolares em sua maioria.
Em nossas empresas, ao receber jovens para o início de sua carreira profissional, podemos medir suas deficiências de conhecimentos que a escola deveria lhes ter proporcionado. Ao entrevistá-los, percebemos na maioria, o vazio na sua educação familiar, a falta dos valores e princípios morais, cívicos e espirituais, o despreparo para vida. São jovens que não estão estruturados e aptos para receber os treinamentos e aprendizado necessários para o desempenho de suas funções e responsabilidades profissionais.
A qualidade das empresas também está na qualidade de suas pessoas, pelos seus valores, seus princípios que nessas primeiras fases da vida, somente a família pode lhes proporcionar. As empresas necessitam também de conhecimentos básicos, em especial de matemática e de português, para proporcionar a esses jovens o aprendizado prático profissional. Pesquisas mostram que o indivíduo, em sua maioria, após terminar o ensino médio, mal consegue compreender o que leu. Sem essa base, esse jovem dificilmente poderá absorver os treinamentos, em conseqüência, a sua contribuição para o desenvolvimento e crescimento da instituição fica comprometida. Essa baixa qualidade das pessoas resulta em empresas sem capacidade de crescimento e desenvolvimento, o que diminui acentuadamente a competitividade dos serviços e produtos brasileiros.
É necessário que sociedade e governos abram esse debate, identificando as principais causas da desestruturação das famílias, e como combatê-las. Definir por onde começar uma reformulação definitiva para a educação na escola pública. Melhorando a qualidade das pessoas, teremos um país de qualidade, onde todos poderão ter uma vida próspera e sustentável. É o ciclo virtuoso.
Coluna publicada na edição 245 da Revista DeFato







