Polo da Mobilidade
Professora Janaina: na Unifei, o aluno sai da graduação especialista na área de transporte
Previsão de investimentos bilionários e área em franca expansão. Para os próximos anos, o Governo Federal pretende gastar como nunca em infraestrutura para transportes, um dos grandes gargalos para a produção em território nacional. Um dos municípios que mais produz minério de ferro no país e, por isso mesmo, também muito dependente de uma escoação eficaz, Itabira pode se orgulhar de contribuir para que o sistema funcione com mais qualidade. Desde 2010, funciona na cidade o único curso de Engenharia da Mobilidade do Brasil.
O curso é oferecido no campus itabirano da Universidade Federal de Itajubá (Unifei). Quando foi criado, levava o nome de Engenharia Ferroviária, mas depois mudou de nomenclatura, ganhou abrangência e passou a ser Engenharia da Mobilidade. Há laboratórios específicos de construção civil e pneumática. Em breve, será implantado um laboratório de transportes e de ferrovias e pavimentação. Todo o material é fornecido pela Vale, que mantém parceria com a Prefeitura e o Governo Federal na manutenção da Unifei em Itabira.
O curso da Unifei é um atalho para quem quer atuar na área dos transportes. Tradicionalmente, o habitual é que o profissional seja formado em Engenharia Civil e depois faça uma pós-graduação em Mobilidade. Em Itabira, esse caminho é encurtado significativamente. “Na Unifei, o aluno já sai com a visão específica do setor de transportes. A gente está trazendo isso para ele não ficar mais um tempo numa pós-graduação, mas já ser um especialista na área de transportes”, explica a professora Janaína Antonino.
Prática
Quando pensou em fazer vestibular para a Unifei em Itabira, o estudante Tadeu Vieira, 22 anos, tinha em mente graduar-se em Engenharia Mecânica. Ao verificar a listagem de graduações disponíveis, a opção escolhida foi Engenharia da Mobilidade, devido ao campo de atuação do profissional e da gama de oportunidades no mercado de trabalho.
Antes mesmo de terminar a graduação, o estudante já conseguiu um estágio no Departamento de Trânsito de Itabira (Transita), no setor de Engenharia de Trânsito. “Minha perspectiva é que, de fato, o mercado seja amplo e que até eu formar o curso esteja ainda mais reconhecido do que está atualmente. Pretendo atuar no modal ferroviário. Espero também que o Brasil continue investindo exacerbadamente em infraestrutura de transporte”, comenta Tadeu.
Em apenas oito períodos, o aluno já consegue ter uma visão ampla do setor e seus desafios. Para Tadeu, a acessibilidade e a priorização do transporte coletivo são algumas dificuldades da área. Ele observa que há grande incentivo para o uso do transporte particular, o que sobrecarrega o sistema viário, especialmente o municipal.
Investimentos no setor
A professora Janaína Antonino lembra que o país teve uma grande estagnação de investimentos no setor e agora é que o Governo Federal tem voltado a investir. Esse atraso de décadas demanda investimentos urgentes. E muito dinheiro injetado significa necessidade de mão de obra especializada – prova de que o mercado vai estar aquecido e em expansão.
“Eu arrisco a dizer que o nosso mercado é de 30 para 40 anos de trabalho. Em função dessa estagnação no setor e pelo fato de o Brasil ter extensões continentais, há a necessidade de se investir muito em ferrovias para escoar a produção”, analisa. Mas o setor rodoviário também não fica para trás. “Na verdade, é preciso pensar em um sistema que una os dois setores”, completa a professora.
Ferrovias e rodovias vão receber consideráveis aportes financeiros da União. Cerca de R$ 500 bilhões estão previstos para um pacote de concessões de rodovias. Enquanto isso, o Programa de Investimentos em Logística (IL) estima investir R$ 133 bilhões na reforma e construção de rodovias e ferrovias federais.
Polo em mineração, Itabira tem tudo para se beneficiar do que ensina a Engenharia da Mobilidade, já que tem sua economia totalmente atrelada ao escoamento da mineração. Mais do que isso, também dá a sua contribuição para que o país tenha um sistema mais eficiente e rentável. Por que não dizer que Itabira ajuda o país a se mexer?







