Professores de escola na Pedreira em estado de greve por causa de violência
Escola Estadual Fazenda da Betânia, no bairro Pedreira: ocorrências policiais amedrontam professores
Professores e servidores da Escola Estadual Fazenda da Betânia, em Itabira, não trabalharam nesta quinta-feira, 13 de fevereiro, e nem vão atuar nesta sexta, 14, em protesto contra a violência na instituição. O estopim foram ocorrências registradas na quarta-feira, 12, quando a vice-diretora chegou a ser brutalmente agredida pela mãe de alunos, que agarrou a profissional pela cabeça e a socou por várias vezes contra a parede.
No período da manhã de quarta-feira, um aluno de 16 anos estava na escola depois do horário do intervalo e a diretora, ao passar por ele no pátio, o chamou para entrar para a sala de aula. Ele se negou. Então, ela sugeriu que ele fosse para casa e ele não gostou da orientação. Saiu chutando o portão, gritando palavrões e jogou uma pedra pela janela, que por pouco não acertou a secretária da instituição.
Já na parte da tarde, uma mãe de dois alunos (sendo um de 13 e outro de 14 anos) chegou à escola com uma sobrinha, de 17 anos, que lá estuda pela manhã, procurando a vice-diretora da escola. Ela estava muito alterada e só aceitava falar com a vice-diretora que, ao chegar, foi agredida. A profissional caiu, teve ferimentos no rosto e a mulher bateu a cabeça da vítima na parede por várias vezes, até chegar outras pessoas para ajudar a separar. Enquanto isso, a adolescente dificultava que outros funcionários apartassem a briga.
A mulher fugiu e logo depois chegou a Polícia Militar. A sobrinha ainda permanecia no local e ficou se vangloriando do episódio, segundo testemunhas. A vice-diretora fez exame de corpo de delito e depois seguiu para o hospital, onde recebeu curativos e foi liberada no início da noite. No primeiro caso a PM também foi acionada e registrou a ocorrência.
Esses são apenas dois casos de violência registrados na escola do bairro Pedreira, segundo profissionais ouvidos por DeFato Online. Com medo de represarias, eles pediram sigilo. “A situação está inadmissível, não dá mais para suportar. Professores, diretores e funcionários estão com medo. Já tem gente pedindo transferência. Nós estamos em estado de greve”, afirmou um dos servidores.
Segundo o mesmo profissional, a greve pode se estender na semana que vem. Para o coordenador da subsede de Itabira do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), Leonardo Moreira, a ideia é mostrar, com o protesto, os reflexos da violência no ambiente escolar. “Vamos definir estratégias e ações para conter esses episódios. Para tanto, precisamos do apoio da sociedade e das autoridades competentes”, diz.
A coordenadora-geral do Sindicato, Beatriz Cerqueira, repudia os atos e alerta sobre o crescimento da violência nas escolas estaduais mineiras. “A situação é preocupante e o Governo e a Secretaria de Estado da Educação devem elaborar formas para conter a violência nas escolas e estruturar um modelo de formulário para ser preenchido quando acontecer estes fatos, além de disponibilizar atendimento psicológico para as vítimas. Os educadores precisam de mais segurança para preservar a integridade e permanecer cumprindo a missão de educar e formar uma sociedade cidadã”, afirmou.







