Greve deve fechar escolas de Itabira a partir de quarta-feira
O objetivo é mobilizar contra a reforma da Previdência
Professores das escolas estaduais de Itabira farão greve a partir desta quarta-feira, 15 de março. A intenção é cruzar os braços por dez dias letivos, estendendo a paralisação até o próximo dia 28. O principal objetivo do movimento é protestar contra a reforma da Previdência, proposta pelo governo do presidente Michel Temer (PMDB) e que está em discussão na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).
A mobilização dos professores é articulada por sindicatos em todo o país. Em Itabira, o movimento é encorajado pela sub-sede do Sindicato dos Servidores da Educação de Minas Gerais (Sind-UTE). A entidade estimula adesões em todas as 17 escolas estaduais na cidade, para que todos os servidores entrem no ato e suspendam as aulas no período.
Para a mobilização integral da categoria em Itabira, a expectativa do sindicato é paralisar as atividades sobretudo nos maiores colégios públicos da cidade, como a Escola Estadual Mestre Zeca Amâncio (Eemza), no Centro, e a Escola Estadual Trajano Procópio Alvarenga Silva Monteiro, o Premen, no bairro Água Fresca.
A representante estadual do Sind-UTE em Itabira, Eusir Prado Silva, citou que a greve foi decidida em assembleia realizada na quarta-feira passada, 8 março, em Belo Horizonte. A partir do encontro, ela estima que 60% dos profissionais de Itabira aprovaram a ideia. “Esperamos conquistar todo o restante”, disse, otimista.
Assembleia realizada pelo Sind-UTE em Belo Horizonte. Foto: Lidyane Ponciano
Razão
A reforma da Previdência está na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016. Entre as mudanças propostas está a definição de uma idade para a aposentadoria: 65 anos, tanto no caso de homens quanto de mulheres.
Além dessa idade mínima, o governo Temer quer elevar o tempo mínimo de contribuição de 15 anos para 25 anos. Daí, o trabalhador precisa atingir a idade mínima de 65 anos e pelo menos 25 anos de contribuição para poder se aposentar.
Só que com 25 anos de contribuição o trabalhador receberá 76% do valor da aposentadoria. A cada ano que contribuir a mais o trabalhador terá direito a um ponto percentual. Assim, para receber 100% do valor do aposentadoria, o trabalhador precisará contribuir por 49 anos.
A reforma acaba com as aposentadorias especiais para servidores sujeitos à atividade de risco, como os policiais e bombeiros, bem como para os professores de ensino infantil, fundamental e médio, tanto do serviço público quanto privado. Essas categorias hoje têm direito à aposentadoria após 30 anos de contribuição, para homens, e 25 anos de contribuição, para mulheres, sem idade mínima.
Obstáculo
“Toda a sociedade precisa ter ciência sobre essa reforma”, disse a diretora sindical Eusir Prado. Pela dificuldade dos sindicalistas propagarem suas ideias dentro da comunidade escolar, os pais de alunos não foram todos avisados da ação grevista.
No entanto, o Sind-UTE está panfletando nos locais públicos de Itabira, como a Praça Acrísio, no Centro, e mobilizando apoio nas redes sociais, frisou Eusir. Na rede municipal de ensino, segundo ela, profissionais ainda não demonstraram adesão à agenda.
Outros motivos
A greve também tem outros porquês, citou a representante do Sind-UTE. Como por exemplo, o sindicato cobra do governo estadual reajuste do piso da categoria.
Outra reivindicação é que a Secretaria de Estado de Educação possa nomear mais servidores aprovados em concurso. Nesse ponto, a entidade sindical afirma que o governo anunciou que irá nomear mais 23 mil profissionais aprovados em concurso em 2017.
Também é pedida a realização de novos processos seletivos neste ano e ampliação do efetivo nas escolas.
Em Itabira não haverá uma ação específica do Sind-UTE em 15 de março. Os trabalhadores irão à Belo Horizonte para somarem forças ao movimento que ocupará a Praça Sete.







