Universidades: mais alunos com deficiência, mas falta adaptação

O número de matrículas aumenta no Ceará, sobretudo, após a inclusão de pessoas com deficiência na Lei de Cotas.

O percurso nos anos de escola já não foi lá tão fácil. Dificilmente a trajetória estudantil de pessoas com deficiência não é, em algum momento, marcada por obstáculos. Mas, apesar das dificuldades, a habilidade dos alunos e a garantia do suporte necessário nessa formação tem, sobretudo nos últimos anos, assegurado ampliação dos ingressos desse público no ensino superior. Mas chegando lá, o que essa parte da população tem encontrado? No Ceará, conhecimento e chances, mas também necessidade de adaptação das estruturas para que o ambiente de aprendizado seja o mais inclusivo possível.
Em 2019, segundo dados repassados pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Estadual do Ceará (UECE) e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), havia, pelo menos, 680 estudantes com deficiência matriculados nessas instituições, sendo 342, 154 e 184 respectivamente. Na Uece há predominância é de alunos cegos, com 100 matrículas. Na UFC, de estudantes com deficiência física com 177 matrículas e no IFCE também 53 alunos autodeclarados nessa condição. Em 2018, o número de estudantes com deficiência na UFC e no IFCE era inferior. Em 2019, a UFC tinha 282 alunos com deficiência e passou para 342 em 2019. Já o IFCE saiu de 109 para 184 no mesmo período.
Esse mês, episódios evidenciados no IFCE, no campus de Fortaleza, demonstraram mais uma vez as dificuldades no processo de inclusão. Um grupo de estudantes acionou o Ministério Público Federal (MPF), no dia 4, devido ao número insuficiente de intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras) nas salas de aula para auxiliar alunos surdos. Conforme os estudantes, quatro pessoas de cursos distintos carecem de intérprete nas aulas no campus de Fortaleza. Contudo, há apenas dois profissionais que se revezam para atender a instituição.

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