Fraudes em concurso descobertas pela PF não são novidade, dizem cursinhos

Foto por Deisi Rezende/09.05.2010/AGÊNCIA O DIA/AE Concurseiros reclamam de aplicação de prova da Caixa Econômica Federal    Diretores de grandes cursinhos preparatórios para concursos dizem não estar surpresos com a grande quantidade de fraudes descobertas nos últimos meses. Segundo eles, a novidade é que a polícia agora está conseguindo desvendar os crimes que sempre existiram. Realizada […]

Deisi Rezende/09.05.2010/AGÊNCIA O DIA/AEFoto por Deisi Rezende/09.05.2010/AGÊNCIA O DIA/AE
Concurseiros reclamam de aplicação de prova da Caixa Econômica Federal
 
 Diretores de grandes cursinhos preparatórios para concursos dizem não estar surpresos com a grande quantidade de fraudes descobertas nos últimos meses. Segundo eles, a novidade é que a polícia agora está conseguindo desvendar os crimes que sempre existiram. Realizada no último dia 16, a Operação Tormenta, da Polícia Federal, prendeu 12 integrantes de uma quadrilha de fraudadores que atuava em todo o país.

Algumas medidas de segurança são apontadas como essenciais para melhorar a segurança dos concursos, de acordo com os diretores: câmeras de vigilância no local do exame, prova transportada por carro-forte e detector de metais nas salas de aulas, por exemplo. Um maior controle sobre os fiscais do concurso e até mesmo ajuda da polícia serviriam para diminuir os problemas.

Treinar os fiscais de prova é fundamental, diz Wilson Granjeiro, diretor do cursinho Gran Cursos. Segundo ele, um erro comum é colocar “jovens inexperientes e sem malícia” para atuar na sala do exame.

– Um concurso precisa de gente com curso na área de segurança. Não dá para criar uma banca de examinadores para cada processo seletivo.

Luis Flávio Gomes, diretor-presidente da Rede de Ensino LFG, uma das maiores do país, lembra que a falta de punição dos criminosos estimula o crescimento das fraudes. Para ele, a primeira atitude – além de prender os responsáveis – deveria ser exonerar o acusado do cargo e reabrir a vaga de emprego.

– Tem que mandar embora quem fraudou. E inibir isso, abrindo de novo a vaga que foi alvo do crime.

Os dirigentes concordam que o cuidado com segurança sempre deve ser maior nos concursos federais ou estaduais, nos quais a fiscalização é mais difícil. As provas dos municípios são mais simples e menores, e, por isso, mais fáceis de evitar fraudes.

Mudanças nas regras

O Ministério do Planejamento determinou, na semana passada, a criação de um grupo especial para propor mudanças na segurança dos concursos públicos federais. As propostas devem interferir nas regras e na parte administrativa dos processos seletivos. A comissão terá 30 dias para apresentar novas medidas.

Cético com relação ao aumento da segurança, o diretor pedagógico da Academia dos Concursos, Paulo Estrela, afirma que isso não vai impedir a atuação dos criminosos.

– Não existe uma técnica. As quadrilhas sempre vão buscar falha no processo da organizadora. Pegar uma quadrilha não é resolver o problema, é encontrar um que a gente não sabia [existir]. A saída é sempre buscar, analisar e desestimular outras tentativas.

Estrela destaca que muitos concurseiros param de trabalhar para estudar. Fica muito fácil, diz ele, seduzir essas pessoas com propostas de aprovação garantida no processo seletivo. Punir os fraudadores é importante, entretanto isso não deve diminuir a atuação dos criminosos, na opinião do coordenador.

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