Captação de água será quase imperceptível, defende gerente da Manabi

Camilo Silva garante que mineroduto é o modal que tem causa menor impacto

Captação de água será quase imperceptível, defende gerente da Manabi
Centenas de pessoas acompanharam a audiência pública sobre o projeto minerário da Manabi, na noite dessa quarta-feira 28, em Ferros, para saber mais informações sobre o empreendimento bilionário que promete movimentar a região, especialmente a de Morro do Pilar. Prefeitos de cidades envolvidas, deputados, assessores e representantes de entidades diversas aproveitaram a ocasião para esclarecer dúvidas em relação aos impactos causados principalmente pelo mineroduto. A audiência pública, agendada pelo Ibama, é uma exigência para a liberação dos licenciamentos.
 
Um dos principais pontos abordados pela comunidade foi o uso da água, a ser captada no rio Santo Antônio. A empresa já tem a outorga do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). De acordo com o gerente geral de processos e tecnologia da Manabi, Camilo Silva, a mineradora vai usar 1,16% da vazão média do rio, uma quantidade, na sua avaliação, “imperceptível”. “A população ainda confunde escassez de investimento público na distribuição de água potável com água de rio. Infelizmente a maior parte desses municípios ainda tem uma estrutura de saúde pública em que a água para abastecimento é de nascentes e córregos pequenos de regiões urbanas, e o rio é usado para esgoto”, disse em entrevista a DeFato.
 
Camilo defendeu o mineroduto como o modal de menor impacto socioambiental e apresentou justificativas baseadas em estudos feitos por empresas especializadas. Ele disse ainda que a indústria, de maneira geral, é um segmento penalizado pela falta de informação do brasileiro em relação aos recursos hídricos. “60% da água captada no Brasil é aplicada na agricultura, 20% no consumo humano e 10% na indústria. E o que você vê, na verdade, é uma legislação muito rígida para o segmento industrial e muito flexibilizada para a agricultura. Estudos mostram que 50% da água usada na agricultura é desperdiçada por falta de técnicas de aplicação adequada”, argumentou.
 
Presente na audiência, o presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Santo Antônio, Felipe Benício Pedro, – que também é diretor do Sindicato Metabase – defende um estudo integrado dos impactos em toda a bacia – o que, geralmente, não é feito. Sua bandeira é levantada por outros membros de ONGs, que protestaram durante o evento. “Infelizmente o nosso poder de luta, de barganha é muito pequeno. Temos a voz, mas não o poder econômico. A nossa luta é Davi contra Golias”, afirmou.
 
Segundo Felipão, o comitê do Santo Antônio tem uma posição muito firme no que diz respeito a uma análise de todos impactos da bacia: mineroduto, Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e outros empreendimentos que, porventura, venham a acontecer. “O rio Santo Antônio é considerado um dos rios mais limpos de Minas. É o rio que joga a água mais pura no rio Doce. Eu amo o rio”, disse ele.
 
Diversos outros questionamentos foram levantados e respondidos, de acordo com o regulamento, pelos representantes da Manabi, consultorias e Ibama. Foram apresentados também o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), com todas as medidas mitigadoras a serem tomadas. Durante a apresentação, destaque ainda para a geração de empregos (só no mineroduto e porto, cerca de 5 mil empregos durante a implantação e 800 durante a operação) e dos investimentos previstos.
 
Sobre os projetos
Criada em 2011, a Manabi possui os direitos minerários na região do quadrilátero ferrífero de Minas Gerais, especialmente nos arredores da cidade de Morro do Pilar. Estudos apontam a existência de 1,5 bilhões de toneladas de recursos no local onde a empresa planeja montar as suas plantas de extração. As reservas de minério de ferro possuem capacidade para produzir até 31 milhões de toneladas por ano, em um teor de 68,5% de ferro, com baixo nível de impurezas.
 
A produção será escoada via mineroduto a ser construído ao longo de Minas Gerais e Espírito Santo, que percorrerá 511 km, passando por 19 municípios mineiros e quatro capixabas, sendo que o último deles, Linhares, receberá também um porto. O empreendimento ainda aquecerá as economias locais, com o aumento da massa salarial gasta no comércio e nos tributos pagos aos municípios.