Casas Bahia acumula dívidas de R$ 17,3 bi e entra em recuperação judicial
A empresa demitiu 600 funcionários em um dia e outros 1,4 mil no dia seguinte
Acelerando uma reestruturação para redução de despesas, a Casas Bahia demitiu na quinta-feira (13) cerca de 600 funcionários e na sexta-feira (14), outros 1,4 mil.
A medida teve como consequência o fechamento de 298 unidades, diante de um total de pouco mais de mil unidades no país, o equivalente a 28,7% de sua rede, segundo dados de março, em meio ao alto endividamento dos consumidores, aos prejuízos acumulados e à pressão das despesas financeiras.
O plano de redução de despesas deve ser apresentado ao mercado nos próximos dias.
Os desligamentos representam cerca de 6,7% de sua força de trabalho.
Uma fonte, familiarizada com a estrutura da varejista estima que o total das demissões possa chegar a 3 mil.
Nas duas gestões anteriores, a diminuição de lojas e corte de funcionários ocorreu de forma gradual, com fechamento de 20 a 30 lojas por ano.
Até março, a companhia havia fechado 26 unidades nos 12 meses anteriores, sendo 12 lojas Casas Bahia e 14 Ponto Frio, considerando a diferença entre aberturas e encerramentos.
Até o final de 2025, o grupo tinha 1.042 lojas, contra 1.064 em 2024 e 1.078 unidades em 2023.
As causas da crise passam por alto endividamento dos consumidores e despesas financeiras elevadas, que dificultam a recuperação extrajudicial da empresa, iniciada em 2024, devido ao desequilíbrio em sua estrutura de capital. Na manhã desta segunda-feira(17), a empresa anunciou a entrada no processo de recuperação judicial após acumular dívida de R$ 17, 3bi.
O processo foi solucionado por meio de uma negociação com os bancos, mas a empresa ainda tem dificuldades em gerar caixa e registrar lucro de forma contínua.
No primeiro trimestre de 2026, a companhia acusou um prejuízo de R$ 1,1 bilhão, mais que o dobro registrado no ano anterior.
Em 2025, o prejuízo consolidado não ajustado chegou a R$ 3 bilhões, três vezes o resultado negativo de 2024.
Mesmo com perdas, a companhia reduziu a dívida líquida no primeiro trimestre, em grande parte devido à conversão de dívidas de credores em capital, aliviando a pressão sobre a estrutura de capital da varejista, mas, as despesas financeiras continuam pesando sobre o resultado, principalmente por causa dos juros elevados.
Outro desafio é melhorar a geração de caixa. A empresa tem buscado alongar prazos de pagamentos à indústria e, segundo o Valor, continua adiando pagamentos a lojistas de seu marketplace, inclusive em operações via Pix.