Cidadania e civilidade

Duplas representam cada nível do escotismo: Lobinho, Escoteiros, Seniors e Pioneiros

Cidadania e civilidade

Matéria publicada na edição 268 da revista DeFato

Disciplina, respeito, lealdade e presteza. Esses são alguns princípios que fazem parte do escotismo, movimento mundial, educacional e voluntariado. Alicerçado na lei escoteira, tem como proposta desenvolver o jovem com base em valores sociais, priorizando a honra e a prática do trabalho em equipe e da vida ao ar livre. Em Itabira, o Grupo Escoteiro Padre Olímpio foi fundado há 57 anos. Ao longo das décadas, mais de mil jovens receberam os ensinamentos criados por Lorde Robert Baden-Powell, em 1907.

O escotismo é dividido em quatro fases. Crianças de seis anos e meio a 10 anos fazem parte da etapa chamada Lobinhos. A história do menino lobo, o Mogli, é trabalhada com eles de forma lúdica. Todas as atividades são baseadas na história: ensinamentos para a vida no campo, em equipe e desenvolvimento da liderança.

Dos 11 aos 14 anos, os adolescentes entram na categoria Escoteiros. Nessa fase, o objetivo é aumentar os conhecimentos e a autoconfi ança. Os alunos aprendem a conviver em equipe, respeitar a natureza e outras lições pertinentes à faixa etária. Dos 15 aos 17 anos, os adolescentes passam para a categoria Seniores, com foco no desenvolvimento de novas habilidades para superar os obstáculos da vida.

Por fim, a categoria Pioneiros, dedicada a jovens com idades entre 18 e 21 anos, cujo foco é servir. O trabalho é baseado na integração do jovem ao mundo, prestando serviço à comunidade com base nos valores da Promessa e da Lei Escoteira. Após os 21 anos, caso queira continuar no grupo, o escoteiro passa a ser voluntário na organização de atividades diversas.

Atualmente o grupo Padre Olímpio conta com 60 integrantes e 16 voluntários, mas o número poderia ser maior. O diretor financeiro e técnico do grupo, o escotista Giovani Freitas, de 42 anos, explica que o número de pessoas atendidas varia de acordo com a quantidade de voluntários para supervisionar as atividades – já que um adulto pode trabalhar no máximo com seis crianças. “Atualmente poderíamos ser 110, mas somos 76 pessoas. Ainda é pouco porque dependemos muito de voluntários”, explica.

Ana Maria de Souza, de 58 anos, presidente do grupo Padre Olímpio, entrou para o escotismo em 1983. Ela conta que com o passar do tempo, o número de escoteiros tem diminuído bastante. “Acredito que os jovens hoje preferem a internet, computador, videogame. Os pais também têm papel importante nisso. Muitos não querem, não têm compromisso ou alegam falta de tempo para levar e buscar o filho”, conta. No passado, Itabira chegou a ter três unidades escoteiras, pertencentes ao Padre Olímpio. Hoje tem apenas uma.

Atualmente a captação de novos jovens é feita pelo velho e funcional boca a boca. É um amigo que leva um novato ou fica sabendo de alguém que já foi ou é escoteiro. O grupo, sempre que possível, visita escolas e explica o movimento. “Temos uma atividade chamada ‘escoteiro por um dia, em que todos os nossos jovens trazem um amigo para ver como funciona”, explica Giovani. Ajudam a propagar o escotismo também as campanhas sociais desenvolvidas pelo grupo, como doação de agasalho, sangue, visitas o asilo, entre outras.

Apesar das difi culdades, o prazer em contribuir para o desenvolvimento dos jovens sempre fala mais alto. Ana Maria se enche de orgulho ao ver voluntários que estão no grupo desde quando eram crianças. “É gratifi cante. Quer dizer que passamos para eles o que é o escotismo”, diz.

O voluntário Anderson Anselmo Silva, de 33 anos, entrou no grupo com apenas seis anos. Junto com ele, a mãe Eliana Serafi m, 58, também passou a fazer parte do movimento. Enquanto o fi lho se desenvolvia e aprendia os ensinamentos, a mãe auxiliava no aprendizado de outros jovens. Hoje chefe de tropa, Anderson é grato ao escotismo. “Aqui formei meu caráter, aprendi coisas fundamentais. Todo o tempo que foi gasto na minha formação estou podendo contribuir com os outros”, afirma.

Giovani conta que vários adolescentes, quando entraram para o grupo de escoteiros, eram desobedientes e davam trabalho aos pais. Hoje são jovens conscientes, educados e civilizados. Eledestaca ainda que, a despeito da das difi culdades, o Grupo Escoteiro Padre Olímpio continua formando cidadãos de bens, de caráter e dispostos a servir à sociedade.

Dez artigos da Lei Escoteira

O escoteiro …

… tem uma só palavra; sua honra vale mais do que a própria vida

… é leal

… está sempre alerta para ajudar o próximo e pratica diariamente uma boa ação

… é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros

… é cortês

… é bom para os animais e as plantas

… é obediente e disciplinado

… é alegre e sorri nas difi culdades

… é econômico e respeita o bem alheio

… é limpo de corpo e alma

O Grupo Escoteiro Padre Olímpio fi ca na rua Suécia, número 155, bairro São Marcos. As reuniões e atividades acontecem todos os sábados, das 14h às 18h.