Codema avaliza atividades da Vale em Itabira por mais quatro anos

Presidente do Codema, Arnaldo Lage, considera que condicionantes não foram cumpridas

Codema avaliza atividades da Vale em Itabira por mais quatro anos
O conteúdo continua após o anúncio


O Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente de Itabira (Codema) se reuniu na tarde dessa quinta-feira, 7 de abril, para deliberar a respeito de concessões para atividades privadas e públicas dentro do município. Dentro da pauta estava a liberação de uma Declaração de Conformidade e de uma Anuência de Conselho Gestor para que a Vale continue operando na cidade por mais quatro anos. Os documentos foram concedidos após pequena discussão entre conselheiros e representantes da mineradora sobre condicionantes que não teriam sido cumpridos pela empresa.
 
Os documentos liberados pelo Codema representam o primeiro passo para que a companhia renove a Licença de Operação (LO). É como se o conselho municipal fosse um avalista. O presidente do conselho e secretário de Meio Ambiente de Itabira, Arnaldo Lage, explicou que é apenas o Estado que pode renovar a autorização das atividades da Vale no município. Essa concessão será estudada pela Superintendência Regional de Meio Ambiente de Governador Valadares (Supram), a qual Itabira está ligada. Não há prazo estipulado para liberação do documento.
 
Apesar de aprovar a anuência e a declaração de conformidade, o Codema constou no relatório que enviou à Supram que a Vale não cumpriu cinco condicionantes que foram impostas pela própria Superintendência no ano 2000, quando a mineradora renovou mais uma vez sua Licença de Operação. Foi o ponto que gerou discussão. O representante da empresa no conselho, Celso Medeiros, afirmou que a companhia entende que todas já foram cumpridas e que aquele não era o momento para se discutir cumprimentos de condicionantes. Ele ainda reclamou que a Vale é tratada de maneira diferente dentro do Codema.
 
O presidente respondeu que a Vale não é tratada de maneira diferente, mas apenas merece uma atenção especial por ser uma empresa de grande porte dentro da cidade. As condicionantes que o Codema entende que não foram cumpridas são: a 01, que exige a contrução de um aterro sanitário (como ainda não está pronto, o conselho entende como em cumprimento); a 12, que exige soluções a curto, médio e longo prazo para o abastecimento público de Itabira (a empresa já fez os estudos, mas falta colocar em prática, segundo o Codema); a 34, que determina que seja feito um cronograma físico e financeiro de recuperação de áreas de conservação; a 37, que determina aquisição de novas áreas de conservação; e a 38, que é a exigência de se fazer em Itabira Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs).
 
Foi comentado durante a reunião que no ano passado houve um encontro entre a Vale e a Prefeitura, articulado pela Supram, em que as condicionantes foram debatidas. A mineradora entende que todas foram cumpridas e o Poder Público acha que não. Os conselheiros quiseram saber, então, de um relatório da Superintendência a respeito dessa reunião e qual a opinião do órgão a respeito das condicionantes. Foi o que gerou mais discussão. O representante da companhia afirmou que aquele não era o momento dessa discussão, pois o Conselho Municipal não tem essa finalidade. Celso também argumentou que só depois da anuência concedida é que a Supram faria o relatório que outros conselheiros exigiam.
 
Celso Medeiros pediu que fosse votada a retirada das condicionantes no relatório que seria entregue à Supram. Esse procedimento foi feito e apenas ele votou favorável ao pedido que fez. Logo após, a concessão dos documentos foi colocada em votação e aprovada pelos conselheiros, com apenas um voto contrário e duas abstenções (uma delas do conselheiro da Vale, que não quis votar em causa própria). A mineradora já opera em Itabira desde 1942.
 
Outras liberações
 
Além dos documentos liberados para a Vale, o Codema aprovou três Licenças de Operações Corretivas (LOC) durante a reunião da tarde dessa terça-feira. As liberações foram concedidas às Estações de Tratamento de Água (ETA) de Ipoema e Senhora do Carmo, do Saae, e para a empresa MW Indústria e Comércio de Laminados Ltda, que funciona no Distrito Industrial de Itabira.