Com apoio de vereadores, moradores protestam em frente a obras da Apac

Comunidade protestou em frente ao terreno destinado à Apac

Com apoio de vereadores, moradores protestam em frente a obras da Apac

Moradores da localidade de Córrego do Meio voltaram a se manifestar em frente à área destinada à Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) na manhã desta terça-feira, 29 de março. O movimento teve presença de alguns vereadores, que seguraram cartazes e manifestaram apoio à comunidade. Segundo o líder comunitário Eli Vitor, os vizinhos não permitirão a entrada de qualquer funcionário das obras enquanto a direção da entidade não acenar com a possibilidade de aceitar um novo terreno.

A exemplo do que aconteceu no dia anterior, o movimento em frente a área da Apac começou cedo, por volta das 6h. Na segunda-feira, 28, uma engenheira contratada pela entidade não conseguiu entrar nas obras e chegou a acionar a Polícia Militar. Nesta terça, porém, nenhum funcionário apareceu até o momento em que a reportagem de DeFato Online permaneceu no local. A PM foi acionada novamente, mas, dessa vez, pela própria comunidade.

Compareceram à manifestação os vereadores Palhaço Batatinha (PSDB), Solimar Silva (SD), Pacelli Eustáquio (PPS) e Toninho da Pedreira (PPS). “Se o Danilo não ceder, a Apac não vai acontecer”, trazia o cartaz segurado pelo caricato vereador tucano, em referência ao presidente da Apac de Itabira, Danilo Alvarenga. Vestido com roupas circenses, Batatinha era o mais “animado” entre os manifestantes.

“Vamos ficar aqui até o Danilo tomar a decisão de aceitar outro terreno. A Prefeitura já ofereceu quatro alternativas e até se comprometeu a ressarcir o que a Apac gastou aqui na área e ele não quer. Enquanto ele não mudar de opinião, nós vamos ficar aqui. Hoje, amanhã, o mês todo se precisar”, afirmou o líder comunitário Eli Vitor. “Eles não querem acordo com a comunidade. Pedimos que eles parassem as máquinas e eles disseram não. Vamos ficar aqui o dia inteiro”, completou.

O desejo dos moradores é que a área seja destinada para a construção do Parque Científico Tecnológico. O vereador Solimar Silva, que no início deste mês organizou uma audiência pública para tratar do assunto, reforçou essa intenção. “Uma coisa que tem que ficar bem claro é que ninguém é contra a Apac. Só que a gente acha que a construção da Apac pode ser feita em qualquer outro local sem que haja perda de qualidade de atendimento aos presidiários. E o Parque Científico Tecnológico, que significa a diversificação do município, precisa ser aqui. Estamos preocupados com o futuro, com nossos netos, tataranetos. É a sobrevivência do município que está em jogo”, argumentou.

“A gente faz um apelo ao pessoal da Apac. O prefeito já deixou claro que todo investimento feito aqui ele ressarce, além de disponibilizar outro terreno. A construção da Apac neste terreno pode inviabilizar empresas de virem para Itabira. Esse terreno é ideal para o Parque por causa da proximidade com a Unifei, do relevo e da extensão. E não haverá custo de aquisição, porque a área já pertence à União. Não existe outro local em que pode ser construído o Parque”, afirmou o vereador.

“Motivações pessoais”

Procurada por DeFato Online, a Apac enviou nota à redação para se posicionar sobre os protestos. A entidade destacou o caráter pacífico do movimento dos moradores, mas lamentou que as manifestações estejam ocorrendo por “motivações pessoais”. “A Apac está aberta ao diálogo e tem analisado tecnicamente cada uma das alternativas que lhe são oferecidas. No entanto, lamenta que motivações pessoais estejam criando tamanha dificuldade para a efetivação de um projeto que tem potencial para beneficiar todo o município”, traz um trecho da nota.

Sobre as áreas oferecidas pela Prefeitura de Itabira, a entidade afirmou que “devido à seriedade do seu trabalho, a Apac não pode construir o CRS em qualquer lugar”. “Diversas questões precisam ser avaliadas antes que um local seja considerado apto para a implantação do prédio. A infraestrutura local, os custos envolvidos, os aspectos legais para cessão e exploração da área e a proximidade com a cidade são alguns dos aspectos a serem analisados”, afirma a instituição.

A Apac prossegue: “a Prefeitura Municipal de Itabira ofereceu algumas alternativas de terreno à Apac. Porém, após avaliação técnica, a entidade concluiu que nenhuma das áreas atende as condições exigidas para a construção do CRS, seja pelo alto custo das intervenções ou pelas condições físicas das áreas ofertadas, impactando também nos prazos de execução, já que a APAC ‘corre contra o relógio’ para não perder o direito à cessão do terreno pela União”.

Sobre o Parque Científico Tecnológico, a Apac considera que os dois projetos são convergentes. A entidade cita que o terreno tem mais de 2 milhões de m², dos quais apenas 50 mil m² foram doados para a construção sede da instituição. “Com os projetos dividindo a mesma área, a Apac acredita que é possível unir os trabalhos de ressocialização dos condenados ao projeto de diversificação econômica do município. Assim se estabelece um processo em que a cidade trabalha um amplo planejamento do seu futuro, equilibrando os aspectos econômicos, ambientais e sociais, além de cuidar da qualidade de vida de seus cidadãos”, traz a nota.