Com boca amordaçada e uniforme da mineradora, Thiago SKP questiona: “Quanto Vale?”
A encenação dialoga com a letra da música, que contrapõe a importância econômica da mineração aos impactos sociais e ambientais causados pela Vale

Vestido com o mesmo uniforme utilizado pelos trabalhadores da mineração e com a boca coberta por uma fita onde se lia “Vale?”, o rapper Thiago SKP chamou a atenção do público durante sua apresentação no 52º Festival de Inverno de Itabira, realizada no último sábado (25). Ao interpretar a música “Quanto Vale?”, o artista transformou o palco em um ato de protesto, utilizando a performance para criticar a mineradora Vale e provocar reflexões sobre os impactos da mineração no município.
Antes de iniciar a música, tocavam ao fundo vários trechos de reportagens e entrevistas relacionadas aos crimes ambientais dos rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho, que ceifaram quase 300 centenas de vidas. Ao lado do rapper, o b-boy Keiron reforçou a mensagem da apresentação ao surgir vestido com roupas em tons terrosos, em alusão à lama, e uma camisa estampada com a frase “Quanto Vale?”.
A encenação dialoga diretamente com a letra da música, que contrapõe a importância econômica da mineração aos impactos sociais e ambientais da atividade. Em diferentes trechos, a composição questiona o valor da vida diante dos interesses financeiros, faz referência à dor das vítimas de tragédias envolvendo barragens, critica a degradação ambiental e contesta uma lógica em que o lucro se sobrepõe às pessoas.
Lançada em 2023, a faixa também reconhece a relevância da mineração para a economia de Itabira ao citar a geração de empregos, investimentos e arrecadação para o município. Ao mesmo tempo, questiona os custos dessa atividade para a população e para o meio ambiente, mencionando explosões, poluição, alterações na paisagem e os impactos deixados para as futuras gerações.
Em outro trecho, Thiago SKP resgata a histórica relação de Itabira com a mineração e faz referência ao poeta Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores símbolos da cidade, cuja obra retrata as transformações provocadas pela exploração mineral ao longo das décadas.
Confira a apresentação:
Assista ao clipe da música: