Confira os principais pontos das posses de Alckmin, Marina Silva, Alexandre SIlveira e Margareth Menezes

Veja os destaques e as principais falas nas posses que ocorreram ao longo dessa semana

Confira os principais pontos das posses de Alckmin, Marina Silva, Alexandre SIlveira e Margareth Menezes

Após assinar o termo de posse, os 37 ministros do governo Lula (PT) estão assumindo suas respectivas pastas em Brasília. O terceiro mandato de Lula contará com 14 ministérios a mais que o do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre as 37 pastas, algumas se destacam. Confira abaixo como foi a cerimônia de posse dos ministérios comandados por Geraldo Alckmin, Marina Silva, Alexandre Silveira – o único mineiro entre os ministros –  e Margareth Menezes. 

Reforma tributária é fundamental à reindustrialização, diz Alckmin

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, assumiu ontem (3) o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, pasta que a nova gestão federal recriou e que responderá por parte das tarefas que, durante o governo de Jair Bolsonaro, estavam sob a responsabilidade do Ministério da Economia.

Durante a concorrida cerimônia realizada no Palácio do Planalto, prestigiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por quase todo o primeiro escalão do governo federal, Alckmin discursou por quase meia hora, elencando os desafios à industrialização do país e suas prioridades como ministro, cujas funções acumulará com as de vice-presidente.

“O momento nos impõe trabalharmos incansavelmente pelo emprego e pela distribuição de renda, em apoio à indústria, ao comércio e ao setor de serviços”, disse Alckmin, acrescentando que o sucesso do setor produtivo brasileiro exige a simplificação das regras do sistema tributário de forma a favorecer a competitividade nacional.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, durante solenidade de investidura no cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo – Agência Brasil

Em cerimônia lotada, Marina Silva toma posse e faz menções a líderes ambientais 

Com o Palácio do Planalto tomado por mais de mil pessoas, Marina Silva assumiu nesta quarta-feira (4) cargo de ministra do Meio Ambiente, 14 anós após ter deixado a pasta, no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Marina retorna ao comando do MMA com a missão de retomar o protagonismo do Brasil na defesa ambiental.

“Eu quero começar agradecendo, em primeiro lugar, a Deus, em segundo lugar, ao povo brasileiro, que elegeu o presidente Lula pela terceira vez. Num momento mais difícil, o povo brasileiro teve a sabedoria de estancar a barbárie e não cair num precipício”, disse Marina, ao iniciar o seu discurso.

Em seu discurso, Marina lembrou e homenageou líderes que morreram na defesa do meio ambiente, como Chico Mendes, Irmã Dorothy, Bruno Pereira e Dom Philips. “Quero homenageá-los. Infelizmente, são símbolos tristes deste período recente”, disse.

A ministra criticou duramente a gestão Bolsonaro. “O que vivemos nestes quatro anos que passaram foram um completo desrespeito”, afirmou. “Boiadas se passaram no lugar onde apenas deveriam se passar políticas de proteção ambiental.”

Uma das últimas ministras a serem nomeadas por Lula, Marina conseguiu convencer o presidente a adotar, praticamente, todas as propostas de sua agenda para reestruturar o MMA e que havia planejado, antes mesmo, de fazer parte da equipe de transição. Foi no momento em que Marina esteve com Lula, ainda durante a campanha eleitoral, que a agora ministra colocou sobre a mesa de negociação as suas condições para que apoiasse a candidatura do petista.

Um dos principais pontos desta negociação foi a criação de uma Autoridade Nacional de Segurança Climática, uma nova autarquia que passaria a ficar debaixo do MMA, com o papel de executar um trabalho técnico e transversal de fiscalização climática, envolvendo todos os ministérios, para perseguir as metas de redução de emissões assumidas pelo Brasil no Acordo de Paris.

Lula topou as condições colocadas por Marina e a deputada federal eleita pelo Rede, em São Paulo, embarcou na campanha.

Alexandre Silveira cria secretaria de fomento à energia limpa

O novo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou a criação de uma Secretaria de Transição Energética, que desenvolverá políticas de desenvolvimento e fomento de energia limpa. Na cerimônia de transmissão de cargo, realizada na segunda-feira (2), Silveira também defendeu medidas para que o consumidor seja preservado da volatilidade do preço dos combustíveis.

Silveira também disse que não esquecerá as tragédias de Brumadinho e Mariana, que afetaram bacias hidrográficas no estado. Ele também prometeu ampliar o Programa Luz para Todos.

“Nossos recursos precisam ser explorados de forma oportuna, sustentável e racional, de modo que gerem em nosso povo e futuras gerações os melhores resultados possíveis”, disse Silveira.

Em relação ao preço dos combustíveis, o novo ministro disse ser necessário desenhar uma política de preços que preserve a competitividade das empresas petrolíferas. No entanto, ele declarou que essa política deverá preservar o consumidor de flutuações bruscas de preço no mercado internacional.

Silveira também prometeu apoio da Petrobras para que o país amplie o número de refinarias e modernize o parque existente para reduzir a dependência da importação de combustíveis.

A declaração foi feita diante do presidente indicado para a estatal, Jean Paul Prates, que estava na cerimônia. Apesar da suficiência do petróleo na camada pré-sal, o Brasil precisa exportar petróleo pesado, que é refinado no exterior e importado como combustível, por falta de refinarias no país.

Quem esteve presente na posse do agora Ministro de Minas e Energia, foi o prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage (PSB). Confira.

Cultura forte auxilia em áreas como emprego e educação, diz Margareth Menezes

Os mais desavisados não acreditariam se tratar de um evento político. Afinal, os ares de festival de música e de feira cultural se impuseram. Foi nesse clima, em um auditório lotado no Museu Nacional, em Brasília, que Margareth Menezes tomou posse como ministra da Cultura. Esse foi o retorno da pasta ao primeiro escalão do governo federal.

Durante o discurso, a ministra teceu muitas críticas ao governo passado, ao citar a falta de políticas para o setor cultural e o fim de um ministério que o representasse. Margareth afirmou que a cultura faz parte da base transformadora da sociedade, junto com saúde e educação. Celebrou o retorno da pasta e falou em “construção de pontes” em prol dos artistas do Brasil.

“Vamos construir pontes que levarão a um futuro mais justo para os artistas e para o povo em geral”, disse ela, afirmando que uma cultura forte auxilia em áreas como geração de emprego e educação, por exemplo. “Vamos voltar para ficar em paz com a dimensão cultural do Brasil”. Em seguida, afirmou: “vencemos. O ministério da Cultura está de volta, o Brasil que queremos está de volta”.

Cerimônia de posse ministra da Cultura, Margareth Menezes. Foto: Valter Campanato – Agência Brasil