Correndo atrás da saúde

Vanderlei da Silva e o filho, Diego da Silva

Correndo atrás da saúde

Reportagem veiculada na edição 260 de Revista DeFato

Correr é um ato do ser humano, seja nos primórdios de nossa existência, como instinto pela sobrevivência, ou nos tempos atuais como esporte. Hoje a corrida é, talvez, o exercício mais básico e comum para quem quer perder calorias ou simplesmente se exercitar.

São duas grandes vantagens: além de poder ser praticado em qualquer lugar, o esporte não é caro. O aspirante a atleta só precisa de vestimentas adequadas e se atentar bastante à escolha do tênis. O calçado representa conforto e segurança e evita lesões a curto e longo prazo.

Os corredores amadores são facilmente encontrados em qualquer cidade. Logo cedinho ou no fim dos dias lá estão eles caminhando por distintas ruas e avenidas. Em Itabira, a equipe de corrida Speedy Fox completa oito anos em 2014 e conta com 140 atletas. Engana-se quem pensa que são profissionais. Todos ali possuem suas profissões e correm por paixão. É certo que alguns estão em níveis avançados e competem para valer, mas a grande maioria faz parte do time para exercitar corpo e mente.

O vice-presidente da Speedy Fox, Luiz Procópio, é um dos treinadores da equipe e sempre orienta os corredores. Com 38 anos de experiência, começou a correr com 14 anos de idade. “Eu tinha problema de coluna, estava ficando corcunda, até que um professor de educação física me colocou para correr. Desde então nunca parei”, conta o treinador.

A equipe conta com três categorias. A iniciante, na qual são feitas caminhadas; a intermediária, com corridas mais leves; e a categoria avançada, onde são propostas corridas pesadas e longas. “Qualquer um pode se juntar a nós para experimentar. Se tiver algum problema de saúde, a gente orienta. Só é preciso trazer o atestado médico”, explicou Procópio.

Durante as corridas, os treinadores sempre se atentam aos atletas para ajudar na conquista dos objetivos com mais eficiência. “Às vezes a pessoa corre torto, sem coordenação, e aí vamos orientando, porque com esses desacertos perde-se velocidade e pode ocasionar lesões”, disse Luiz.

Correndo sempre com a equipe, Procópio conta que os benefícios da prática esportiva em grupo são diversos. “Somos todos uma família. O stress vai embora, os problemas ficam em casa. Para quem não gosta de correr sozinho é uma boa opção, pois trabalha corpo, mente e ainda cria amizades”, diz.

Para a educadora física Stephane Ferreira Pena, 28 anos, a corrida é um dos esportes mais completos. “Trabalha-se o corpo todo, pernas, abdómen, glúteos e outros. Ao mesmo tempo em que você ganha massa, você perde muitas calorias.”, destaca. “O condicionamento e a capacidade física melhoram, assim como a circulação sanguínea. Além disso, para as mulheres, ajuda muito a tirar o culote. É o exercício que mais tira barriga e culote”, revela.

Stephane começou a correr neste ano. Antes, porém, passou pela academia. Ela tinha o objetivo de perder peso, mas notou que o resultado estava sendo inverno. “Fiz três meses (de academia) e vi que estava hipertrofiando, crescendo, ganhando muitos músculos. Então resolvi correr na rua, pois na esteira é muito diferente e você não perde o mesmo tanto de caloria”, relata.

Ela iniciou devagar, e à medida que persistia, ganhava mais condicionamento. “Não aguentava nem 5 km, ia parando, andando. Hoje sou apaixonada pela corrida e não largo mais. Consegui unir o útil ao agradável e perdi 9 quilos”, conta.

Melhorias na saúde

Vanderlei da Silva, de 40 anos, além de correr com a Speedy Fox nas terças e quintas, agrega o final de semana à sua rotina de exercícios. Ele começou a correr em 2007 após realizar um exame periódico e constatar que seu colesterol estava alto. “Decidi que tinha que melhorar minha saúde. Comecei fazendo academia, para fortalecer, e caminhada. Com o tempo fui evoluindo”, disse.

Priorizando sempre a corrida por trabalhar melhor o condicionamento e estrutura do corpo, Vanderlei passou a se sentir cada vez melhor no seu dia a dia. “Minha respiração melhorou, passei a trabalhar com mais vigor, sem cansar, e a qualidade de vida foi outra. Fiz outros exames depois e ficou constatado que o colesterol estabilizou”, comentou.

Animado com os resultados, Vanderlei “arrastou” o filho, Diego da Silva, 10, para praticar exercícios. “Ele começou a correr há três meses. O médico disse que tínhamos tendência de passar o peso, e precisávamos controlar isso. Hoje é ele quem me chama para correr”, revela o pai.

Diego conta que fazia futsal, mas decidiu parar por não ter gostado. “Eu ficava à toa em casa. Eu via meu pai saindo para correr e um dia ele me chamou para ir também. No começo ele quase me arrastou, mas depois gostei e não largo mais. Vou continuar correndo”, disse o filho.

A vida passa rápido e é melhor não titubear. Hora de calçar os tênis, colocar uma roupa leve e sair para se exercitar. Se saúde é o que interessa, então, vamos correr!