Corretoras estimam lucro até 95% maior para Vale, apesar da crise

É consenso entre os analistas que os resultados da Vale no quarto trimestre de 2008 serão severamente impactados pela crise global. Apesar disso, a expectativa é de lucro até 95% superior ao contabilizado no mesmo período do ano passado. Comparando-se os números em relação ao trimestre anterior, no entanto, é possível sentir a desaceleração nos […]

É consenso entre os analistas que os resultados da Vale no quarto trimestre de 2008 serão severamente impactados pela crise global. Apesar disso, a expectativa é de lucro até 95% superior ao contabilizado no mesmo período do ano passado.

Comparando-se os números em relação ao trimestre anterior, no entanto, é possível sentir a desaceleração nos negócios. As projeções apontam queda de até 63% no lucro líquido, com redução de até 17% nas vendas.

Os três últimos meses de 2008 se caracterizaram como um período totalmente diferente do vivenciado pela companhia nos últimos tempos. A crise global atingiu todos os mercados do mundo, derrubando abruptamente a demanda. A situação ficou ainda mais delicada com a estratégia adotada pelas siderúrgicas chinesas no primeiro semestre de 2008, que previa a estocagem de insumos. "O volume de estoques de minério de ferro na China superava a casa de 75 milhões de toneladas e isto foi determinante para que a China viesse a interromper o ritmo de encomendas que mantinha com todas as mineradoras", explica a corretora SLW em relatório.

Diante dos altos estoques e da queda vertiginosa nas vendas, a Vale, assim como outras mineradoras, se viu obrigada a ajustar seu ciclo operacional. Durante o quarto trimestre, foram feitas paralisações em algumas minas e interrompidas as produções de pelotas em quatro unidades. A fabricação de alumínio foi reduzida em 40%, e a de níquel, em 20%.

Os cortes não contemplaram somente a queda na demanda, mas também a redução média de 40% nos preços das matérias-primas, que derrubou as margens de lucro. Com exceção do minério de ferro e de pelotas, que são reajustados anualmente, as demais commodities seguem preços de mercado. Alguns concorrentes, afirma a SLW, liquidaram seus estoques a qualquer preço, contribuindo ainda mais para a depreciação dos produtos. Com isso, o faturamento da companhia em dólares deve ter registrado fortes perdas. Porém, na conversão para reais, deve ser notada uma compensação, já que entre outubro e dezembro a moeda americana se valorizou 22%.

O câmbio deverá contribuir significativamente para os resultados da Vale no trimestre. Como a mineradora possui mais ativos que passivos atrelados à moeda estrangeira, o resultado na conversão dos valores para reais deverá gerar ganhos para a empresa. Além disso, grande parte dos 19,4 bilhões de reais levantados no terceiro trimestre pela mineradora com uma oferta de ações está aplicado em moeda estrangeira.

Para os próximos meses, as perspectivas são de um início de recuperação. Com o volume dos estoques baixando na China, a expectativa é de que, aos poucos, a demanda volte a subir. Na Índia, os preços à vista registraram forte alta em janeiro, levando certo otimismo para as negociações dos preços do minério de ferro que valerão para 2009.