Covid: recursos do acordo de Brumadinho podem financiar vacina da UFMG

A UFMG sofrerá, neste ano, corte de R$ 40 milhões no seu custeio, o que inviabilizaria o projeto de produção da vacina contra a Covid-19

Covid: recursos do acordo de Brumadinho podem financiar vacina da UFMG
Foto: Pedro Gontijo/ Imprensa MG

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) pretende destinar recursos do acordo de Brumadinho para garantir a continuidade da pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) referente à vacina contra a Covid-19. Na manhã desta quarta-feira (14), em Reunião Especial de Plenário, o presidente da Casa, deputado estadual Agostinho Patrus (PV), se comprometeu a incluir uma emenda ao Projeto de Lei (PL) 2.508/21 prevendo a destinação de R$ 30 milhões para a iniciativa da faculdade.

O PL 2.508/21, de autoria do governador Romeu Zema (Novo), autoriza a utilização de R$ 37,68 bilhões oriundos de acordo judicial firmado com a Vale para a reparação de danos causados pelo rompimento da barragem da mineradora em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que matou 272 pessoas em janeiro de 2019.

Dessa forma, Agostinho Patrus pretende incluir uma emenda destinando R$ 30 milhões desse montante para custear as fases 1 e 2 dos testes da vacina — a serem realizados ainda neste ano. A proposta do presidente da ALMG cumpre prazo para apresentação de emendas na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária.

“Vamos reduzir ações pouco efetivas para este momento que vivemos contidas no projeto e exigir que o repasse para o desenvolvimento da vacina seja feito ainda neste ano e não haja nenhuma interrupção dos estudos. Esperamos que as mortes ocorridas em razão do rompimento da barragem não tenham sido em vão e tragam possibilidade de vida”, defendeu Agostinho Patrus.

O presidente do legislativo mineiro pedirá para que a emenda seja assinada por todos os deputados estaduais. Segundo ele, a partir desta quinta-feira (15), as equipes técnicas da ALMG e da UFMG já poderão trabalhar juntas nas questões relacionadas ao repasse de recursos. “A vacina é nossa solução para reduzir o sofrimento das pessoas, para garantir o retorno seguro das atividades econômicas e para assegurar, acima de tudo, a vida”, destacou.

Importância do repasse de recursos

A reunião de quarta-feira foi destinada a ouvir a reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart Almeida, sobre os estudos em andamento na UFMG relacionados ao desenvolvimento e à produção de vacina contra o novo coronavírus. De acordo com ela, a universidade sofrerá, neste ano, corte de R$ 40 milhões no seu custeio, o que corresponde a 18,9% do seu orçamento, o que inviabilizaria o projeto de produção da vacina contra a Covid-19.

O imunizante identificado como “quimera proteica” é o que está em estágio mais avançado entre outros seis pesquisados pela UFMG e parceiros — além de ser uma das três vacinas em desenvolvimento mais adiantadas no Brasil. “Chegamos a um ponto em que não podemos parar”, afirmou.

Segundo informações da reitora, essa vacina intramuscular apresenta baixo custo em relação a outras. “Já sabemos como produzi-la. É uma vacina tradicional”, disse. Os testes em camundongos apresentaram resultados de 100% de eficácia, uma vez que nenhum deles desenvolveu a doença. Desde a última terça-feira (13), ela já está sendo testada em primatas.

A expectativa é de que, em 2022, a vacina possa ser produzida nacionalmente. Sandra Goulart comentou que já está sendo feito um acordo com a Fundação Ezequiel Dias (Funed) para essa finalidade.

* Com informações da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.