CPMI identificou “grandes igrejas e pastores” envolvidos no esquema de fraudes do INSS, diz Damares Alves
Damares confirma que a CPMI tem sido alvo de lobbys contra o avanço das investigações
A senadora Damares Alves (Republicanos- DF), que integra a CPMI (Comissão Mista Parlamentar de Inquérito) que apura as fraudes no INSS, afirmou no domingo (11) que a comissão sofre pressões de pessoas e instituições buscando atrapalhar as investigações após identificação de líderes religiosos influentes como participantes do esquema.
Segundo Damares, há “grandes igrejas e grandes pastores” envolvidos nos atos ilícitos.
“Estão tentando atrapalhar as investigações o tempo todo. Vou falar algo que machuca muito. Nós estamos identificando igrejas nos esquemas de fraudes dos aposentados. E quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: “não falem, não digam, não investiguem, porque os fiéis vão ficar muito tristes”, disse a senadora em entrevista ao SBT News, após ser questionada sobre se há tentativas de impedir o trabalho da comissão.
Damares confirma que a CPMI tem sido alvo de lobbys contra o avanço das investigações, mas ressaltou que o trabalho dos parlamentares tem superado as expectativas:
“Essa CPMI do INSS está chegando em lugares que a gente nem imaginava. Grandes igrejas do Brasil estão sendo apontadas. Isso machuca muito. O trabalho no Congresso marca uma nova era das comissões parlamentares de inquérito no país”.
A senadora afirmou que a CPMI “vai fazer entregas”, pegando governos de campos políticos distintos.
Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão, informou que os parlamentares vão realizar em fevereiro, o “primeiro balanço” do relatório preliminar sobre as atividades da comissão no ano passado.
O prazo estipulado para o encerramento da CPMI é para o mês de março, mas Viana defende a prorrogação dos trabalhos por mais 60 dias, por acreditar que a data não seria suficiente para análise dos documentos recebidos e a audição de todos os depoentes que ainda são esperados.
“Diante da dimensão nacional e da profundidade do esquema, afirmo que é absolutamente indispensável a prorrogação da CPMI por mais 60 dias. Somente assim será possível aprofundar as apurações, rastrear patrimônio oculto, identificar todos os responsáveis e garantir justiça plena às vítimas”.
Em 2025 foram realizadas 28 reuniões pela comissão, ouvidas 26 testemunhas, entre elas dois ex-presidentes da Previdência, Carlos Lupi, então titular da pasta quando foram expostas as irregularidades, e Onix Lorenzoni, responsável pelo ministério durante o governo Bolsonaro, período quando começaram os desvios.
Em dezembro de 2025, Viana adiantou alguns resultados que devem ser entregues no relatório final, como a análise de 4.800 documentos e a identificação de 108 empresas suspeitas.
Viana afirmou que vai pedir ao STF a suspensão imediata de quase 2 milhões de contratos de empréstimo consignado sob suspeição de irregularidades.
*Fonte: InfoMoney25




