Um brutal assassinato ocorrido em Peçanha (a 58km de Guanhães) no dia 9 de dezembro trouxe medo para a população local, que acompanha a violência aumentar na região nos últimos anos. O fazendeiro Isnard de Queiroz Carvalhais, 77 anos, foi executado com oito tiros e facadas em sua propriedade no distrito de Sem Barra, zona rural da cidade. A família do fazendeiro tem cobrado a apuração e punição pelo crime, que está sendo investigado pela Polícia Civil de Peçanha e ainda não possui nenhum suspeito.
De acordo com a médica Lucinéia Queiroz Carvalhais, filha do fazendeiro, Isnard tinha problemas de saúde, o que limitava a mobilidade dele. “Papai faria 78 anos em janeiro, tinha perdido a visão esquerda em 2010 devido a uma trombose ocular; tinha perda auditiva de médio porte e espondilite anquilosante (reumatismo que ataca ombros, coluna, quadril e pescoço)”, relata.
Ela acrescenta que o pai estava em Belo Horizonte desde novembro, acompanhando a esposa que tinha passado por uma cirurgia. Retornou a Peçanha em dezembro, onde ficou por três dias, e seguiu rumo à fazenda para fazer o pagamento dos funcionários. Lucinéia diz que ele tinha o costume de dormir sozinho no local. À noite, a família do vaqueiro que trabalha na fazenda ouviu disparos e gritos. Pouco depois, o funcionário viu rastros de sangue pela casa do fazendeiro, encontrou o corpo e entrou em contato com a esposa de Isnard na capital.
Devido às chuvas e a dificuldade de acesso ao distrito, a perícia da Polícia Civil foi feita na manhã seguinte. “Não havia porta ou janela arrobada, a televisão estava ligada, os cachorros não deram sinal de presença de estranhos por lá. Achamos que o papai abriu a janela, depois a porta e saiu na varanda, porque tudo indica que era alguém conhecido. Ele não abria porta para estranhos à noite”, comenta Lucinéia, acrescentando que possivelmente uma pessoa jovem tivesse ido lá. “Papai foi agredido em vários locais da casa. Ele não tinha condição de enfrentar uma luta com ninguém. Foi muito desigual, cruel, animalesco, frio, violentíssimo, demoníaco, quem esteve lá. É preciso dar uma resposta à família e à sociedade, é preciso fazer justiça”, desabafa.
O médico Carlos Moraes Ramos, genro de Isnard, disse que o crime desestruturou toda a família: “Só quem passa por isso sabe. A gente se sente desamparado, descrente. Saímos de casa pela manhã e não sabemos se vamos voltar. É desanimador e frustrante”. Ele receia que, com o tempo, o caso seja esquecido e que os criminosos fiquem impunes.
As causas do crime ainda não foram identificadas. A faca utilizada foi encaminhada para perícia em BH. O delegado da Polícia Civil de Peçanha, Henrique Miranda, disse que nenhum suspeito foi detido e que o trabalho de investigação continua. Ele acrescenta que a maior parte dos depoimentos foi colhida e que a polícia está apurando as informações obtidas.