Crime bárbaro: acusação fala com a DeFato após Justiça tornar réu empresário que matou gari em BH
Defesa de Renê não respondeu até o momento; acusação cobra reparação à família do gari morto
A Justiça de Minas Gerais tornou réu o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, acusado de matar o gari Laudemir de Souza Fernandes, de 48 anos, em 11 de agosto de 2025, em Belo Horizonte. A decisão foi proferida nesta segunda-feira (15), pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do 1º Tribunal do Júri da Comarca de BH.
Com a aceitação da denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o empresário passa da condição de denunciado para a de réu, dando início à fase judicial do processo. O MPMG denunciou Renê por homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de arma de fogo e ameaça contra testemunhas.
A esposa de Renê, a delegada da Polícia Civil Ana Paula Balbino Nogueira, também investigada, teve o processo desmembrado pela Justiça e responde em ação separada.
Posição da acusação
O advogado Tiago Lenoir, que representa a família da vítima como assistente de acusação, considerou correta a decisão da Justiça:
“Essa decisão é o caminho natural do inquérito. Ele foi indiciado, denunciado e agora processado. Esperamos que, ao final, seja pronunciado e levado a júri popular. Desde o início ficou claro quem foi o autor desse crime bárbaro”, disse.
Segundo Lenoir, o réu inicialmente negou o crime, mas depois alegou disparo acidental. Para o advogado, as provas apontam para um homicídio qualificado:
“Nós esperamos que ele confesse que matou o Laudemir através de recurso que tornou impossível sua defesa. A motivação foi fútil e também houve perigo comum. Ele não reparou nenhum dano à família até hoje”, afirmou.
O advogado detalhou ainda as próximas etapas do processo: citação do réu, apresentação da defesa prévia, audiência de instrução e julgamento com oitiva de testemunhas, interrogatório e, por fim, sentença de pronúncia.
“O Tribunal do Júri é quem deve julgar. Buscaremos a condenação dele e também a reparação civil pelos danos morais e materiais causados à família. Laudemir deixou uma filha de 15 anos, mãe, irmãos e era trabalhador essencial para a cidade”, acrescentou.
Lenoir reforçou que há provas testemunhais e materiais robustas, como o laudo de microcomparação balística, que confirmou o uso da arma da esposa do acusado, além de vídeos, mensagens e registros telefônicos.
“O réu tem direito de se defender, mas faremos tudo dentro da lei para que ele saia do Tribunal condenado”, concluiu.
Posição da defesa
Até o momento, a reportagem do portal DeFato Online não conseguiu retorno da defesa de Renê Nogueira Júnior. O espaço segue aberto para manifestação, e a matéria será atualizada assim que houver posicionamento.
Próximos passos
Após a resposta da defesa, a Justiça marcará audiência de instrução, quando testemunhas de acusação e defesa serão ouvidas, além do interrogatório do réu. Em seguida, o juiz decidirá se Renê será pronunciado para julgamento em plenário pelo Tribunal do Júri.




