Dengue vira briga entre cidades vizinhas
Os números cada vez mais altos de casos de dengue no estado põem em alerta toda a população, mas, no Vale do Aço, é a suposta subnotificação que provoca uma espécie de “briga de vizinhos”. Prefeito de Coronel Fabriciano – cidade que fica atrás apenas de BH em comunicação de casos suspeitos –, Francisco Simões […]
A polêmica começou depois do último balanço divulgado por essas cidades. O levantamento apontava 304 casos notificados em Timóteo e 277 em Ipatinga, enquanto em Coronel Fabriciano havia 1.089 pessoas com suspeita da doença. “Como municípios tão próximos podem apresentar números tão diferentes?”, questiona o prefeito, dizendo ter confirmado as suspeitas depois de ligar paras hospitais dos dois municípios vizinhos e saber que o movimento para atendimento de casos de dengue era constante e alto, chegando a mais de 300 casos só em janeiro. “Além do mais, em um encontro com agentes de saúde e de controle de zoonoses para planejar a estratégia de combate ao vetor no Vale do Aço, uma enfermeira de Ipatinga confessou que a equipe médica não estava dando conta de atender tantos pacientes nos hospitais com suspeita de dengue”, afirma, dizendo que foi a prova que faltava. “O documento que relata tudo isso está pronto e será entregue ao MP.”
Na segunda-feira, a Secretaria Municipal de Saúde de Ipatinga apresentou novo levantamento da cidade, com número bem maior de casos notificados em relação ao último balanço divulgado pela secretaria estadual, na sexta-feira. Antes, eram 301 notificações. Na segunda-feira, o documento apontou 438 casos notificados, sendo 10 suspeitas do tipo hemorrágico. O município, porém, nega que os novos dados tenham qualquer relação com as denúncias do prefeito da cidade vizinha. De acordo com a assessoria de comunicação da Prefeitura de Ipatinga, o pedido de novo registro ocorreu por causa da transição de governo pela qual passa a cidade, com a cassação do ex-prefeito Sebastião Quintão (PMDB).
O secretário de Saúde de Timóteo, José Fernando Moreira Peixoto, não descarta a possibilidade de um profissional da saúde fazer registro inadequado da doença, mas critica a forma como o prefeito de Fabriciano tem generalizado a situação. “Muitos dos médicos que trabalham em Timóteo atuam em Coronel Fabriciano. Por que esconderiam dados? O que ganhariam em troca?”, questiona, dizendo que, em relação ao setor público de saúde, confia na transparência das informações. “Mas também existe o setor privado”, afirma, apontando que o município comandado por Simões está com um número descontrolado de notificações de dengue. “Essa situação vai além de números. É política”, rebate.
Na avaliação do diretor regional de Saúde do Vale do Aço, Anchieta Paggiali, não há como saber quando os municípios estão ou não escondendo dados. “Estamos pedindo e instruindo médicos a fazerem as notificações”, garantiu.
Ação conjunta
Segunda-feira, representantes dos três municípios, e também de Santana do Paraíso, se reuniram e, além de debater as acusações de Simões, discutiram estratégias conjuntas de combate ao Aedes aegypti para o Vale do Aço. A reunião ocorreu a portas fechadas, das 14h às 19h, na Gerência Regional de Saúde (GRS), em Coronel Fabriciano. A GRS decidiu que vai enviar proposta orçamentária solicitando ao governo de Minas repasse de recursos para incrementar ações de combate ao vetor. Os municípios pretendem implantar um plano de ação conjunta semelhante ao adotado na Região Metropolitana de Belo Horizonte.