Depois de 10 mortes e 16 pessoas com sequelas, caso Backer segue parado

Cervejas contaminadas por uma mistura de dietilenoglicol provocaram as mortes

Em dezembro de 2019, algumas cervejas do rótulo Belohorizontina, produzida pela cervejaria mineira Backer, causaram a morte de 10 pessoas e deixaram outras 16 com graves sequelas. A marca, até então tida como confiável, teve lotes produzidos com uma mistura de dietilenoglicol.

As pessoas afetadas descreveram diversos tipo de efeitos do envenenamento no corpo. Isso incluiu dificuldades motoras, perda da função renal, problemas neurais e cardíacos, entre outros. Os médicos que atenderam as primeiras vítimas não conseguiam descobrir o causador.

A Polícia Civil só conseguiu iniciar uma investigação mais completa quando recebeu denúncias de que muitas das vítimas eram moradoras do bairro Buritis, na região Oeste de Belo Horizonte. Foi lá que aconteceu a maior concentração de pacientes da chamada “Síndrome Nefroneural”, já que todos eles apresentaram os mesmos sintomas após a ingestão das cervejas.

As análises de peritos constataram a presença de dietilenoglicol, que foi o responsável pelos danos causados nos consumidores, como explicou o superintendente de Polícia Técnico-Científica, Thales Bittencourt, na época. “É uma substância que não se esperaria no corpo humano e é a substância que, no final das contas, é a responsável pela lesão neural e pela lesão renal”.

As investigações da Polícia Civil e do Ministério da Agricultura demonstraram que diversos vazamentos dentro da fábrica da Backer provocaram a contaminação, desde o final de 2018. Ao todo, dez consumidores morreram e outros 16 ficaram com sequelas graves.

Após as investigações, 11 pessoas foram denunciadas à Justiça e se tornaram rés. Delas, sete são engenheiros e técnicos da Backer que respondem por homicídio culposo e lesão corporal, entre outros crimes. Já os três sócios proprietários respondem por crime contra a saúde pública. Nenhum deles foi preso.

Julgamento paralisado

Apesar da denúncia contra a Backer já ter sido acolhida, o julgamento dos réus ainda não começou. Segundo o Tribunal de Justiça de Minas, até agora, foi feita apenas a citação dos denunciados, sendo que um deles morreu durante o processo e a punibilidade foi extinta. Após essa fase, serão iniciadas as audiências de oitivas de vítimas e testemunhas. Porém, ainda não há uma data.

Enquanto o julgamento criminal segue paralisado, na esfera cívil, as vítimas já começaram a receber o pagamento pela Backer de auxílios emergenciais. Os recursos são usados na recuperação dos pacientes que ainda têm sequelas, mas as negociações estão em sigilo. Agora, os advogados das famílias tentam fechar os acordos de indenizações definitivas, principalmente para quem perdeu parentes.