Detonação! carta renúncia de Gasparino ao Conselho da Vale tem fortes acusações contra a mineradora

O ex- conselheiro admite que o material é de sua autoria e reunia essencialmente opiniões pessoais

Detonação! carta renúncia de Gasparino ao Conselho da Vale tem fortes acusações contra a mineradora
Marcelo Gasparino(D) foi vice-presidente do Conselho de Administração da Vale Foto: Guilherme Guerra/DeFato

A carta renúncia de Marcelo Gasparino ao Conselho de Administração da Vale mexe com temas sensíveis na investigação aberta pela mineradora.

Gasparino afirma ter enviado por WhatsApp a um analista sell-side (lado da venda) de uma minuta de sua manifestação e de seu voto após a divulgação oficial do documento, mas sustenta que não transmitiu informação confidencial.

O ex- conselheiro admite que o material é de sua autoria e reunia essencialmente opiniões pessoais e tratava de assuntos já de conhecimento público, argumentando ainda que a manifestação deveria ter sido divulgada pela Vale aos acionistas, nos termos da regulamentação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), e que o envio não proporcionou vantagem financeira, não provocou prejuízo à empresa nem teve relação com a negociação de ações.

Apesar das ressalvas, Gasparino admite que o conteúdo poderia ter sido divulgado posteriormente e que antecipou o documento de forma seletiva a um profissional do mercado, fora do procedimento formal de divulgação da companhia.

A Vale confirmou que a apuração conduzida por um escritório externo e independente confirmou o vazamento de informações confidenciais relacionadas à reunião do conselho no dia 19 de junho, quando Gasparino e Manoel Silva de Souza Oliveira (Ollie), se dispuseram ao cargo de presidente do colegiado.

Embasado no relatório, o conselho determinou o afastamento de Gasparino dos comitês de Indicação e Governança e de Pessoas e Remuneração, decidindo por submeter sua destituição aos acionistas.

Na carta, Gasparino transforma sua defesa em acusação contra a administração da empresa, afirmando que o escritório externo só o procurou na noite de 14 de julho, momento em que estava em campanha visando a presidência do conselho, quando pediu para ser ouvido depois da assembleia do dia 22 deste mesmo mês.

Gasparino afirma não ter recebido o relatório final e que a reunião convocada para analisar sua punição foi marcada com pouco mais de 24 horas de antecedência, num momento que se encontrava em deslocamento aéreo e não conseguiu participar.

A decisão foi tomada no mesmo dia em que Ollie foi escolhido para a presidência do conselho.

O pedido feito por Gasparino para adiar o seu depoimento enfraquece sua própria alegação de que não pôde se defender.

A sequência descrita por ele no documento produz uma imagem desconfortável para a Vale: a investigação levou quase um mês para ouvi-lo, mas a punição foi aprovada horas depois da eleição, com base em um relatório ao qual ele afirma não ter tido acesso.

Entre suas acusações, a de que a Vale aplica suas regras seletivamente, e que outras investigações internas e episódios envolvendo administradores teriam sido tratados de forma diferenciada; no entanto, não identifica os casos nem os responsáveis.

Também fala em “articulações e eventos secretos” destinados a impedir sua eleição.

Em trecho com forte conteúdo político, Gasparino afirma que obteve mais de 50% dos votos quando excluídos os “acionistas de referência, que indicaram o outro candidato”, insinuando que Ollie foi escolhido pelo bloco dos grandes investidores da Vale, enquanto a sua candidatura teria vencido entre os demais acionistas.

Ainda segundo Gasparino, sua saída não foi negociada e ele não teve qualquer vantagem financeira.

É uma forma de marcar distância da renúncia de Daniel Stieler, cercada pela controvérsia sobre a discussão de uma compensação para sua saída da presidência do conselho.

Ao término da carta, Gasparino faz alusão ao Tribunal de Nuremberg, insinuando perseguição e usa a imagem da garça que atravessa águas pantanosas sem sujar as penas para defender sua trajetória.

Ao renunciar aos cargos de conselheiro e vice-presidente com efeito em 1º de agosto, ele deixa o colegiado, mas sinaliza que pretender levar a disputa e as acusações para fora da Vale.

Procurada, a Vale informou que não irá se manifestar ao mercado.

*Fonte: Veja Negócios