Em carta do Sintsepmi, trabalhadores do Saae de Itabira cobram melhores condições de trabalho e investimentos em infraestrutura

A autarquia afirmou que vive um dos maiores processos de reestruturação de sua história, com investimentos em infraestrutura e recomposição do quadro de servidores

Em carta do Sintsepmi, trabalhadores do Saae de Itabira cobram melhores condições de trabalho e investimentos em infraestrutura
Grazi Cachapuz, presidente do Sintsepmi. Foto: Guilherme Guerra/DeFato

Os trabalhadores do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Itabira apresentaram, nesta terça-feira (28), uma carta aberta contendo uma série de reivindicações sobre as condições de trabalho enfrentadas pela categoria. A manifestação dos servidores da autarquia foi lida durante a reunião de comissões da Câmara Municipal, pela presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos Municipais de Itabira (Sintsepmi), Graziele Vieira Cachapuz Machado.

Na carta, os trabalhadores afirmam que convivem com a falta de investimentos, estrutura, equipamentos, materiais e pessoal, o que, segundo eles, compromete a qualidade dos serviços e, em alguns casos, obriga as equipes a utilizar peças reaproveitadas em reparos. 

O documento também aponta dificuldades na articulação com órgãos como a CDL e a Transita, que poderiam atrasar intervenções emergenciais, e defende uma gestão mais integrada, com melhores condições de trabalho, planejamento, valorização profissional e investimentos para fortalecer o serviço prestado à população. 

Em nota enviada à DeFato, o Saae de Itabira afirmou que respeita o direito à manifestação, mas rejeitou as críticas apresentadas na carta lida pelo Sintsepmi, classificando-as como acusações sem provas e informações distorcidas. A autarquia também questionou o fato de o documento não trazer a identificação dos trabalhadores que o assinam, destacou que vive um processo de reestruturação com investimentos em infraestrutura, equipamentos e concurso público, e afirmou que permanece aberta ao diálogo, desde que pautado por “responsabilidade, fatos e respeito à verdade”. 

A carta

No texto, os trabalhadores afirmam que, apesar do compromisso diário em garantir o abastecimento de água para a população, enfrentam dificuldades provocadas pela falta de investimentos, de estrutura, de equipamentos, de materiais e de pessoal. Segundo os servidores, a escassez de materiais tem obrigado as equipes, em diversas situações, a realizar reparos utilizando peças reaproveitadas ou recauchutadas. Eles afirmam que essa realidade compromete a qualidade dos serviços e faz com que alguns reparos precisem ser refeitos.

“Quando um reparo precisa ser refeito ou o serviço não alcança a qualidade que todos desejam, isso nem sempre acontece por falta de compromisso dos trabalhadores. Muitas vezes, é consequência das condições em que somos obrigados a trabalhar”, diz um trecho do documento lido por Grazi Cachapuz.

A carta também aponta dificuldades na comunicação entre o SAAE e outros órgãos municipais. Um dos exemplos citados é a necessidade de comunicação prévia à Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) para a realização de algumas intervenções. De acordo com os trabalhadores, embora esse procedimento seja adotado sempre que possível, em situações de emergência a exigência pode atrasar reparos urgentes e prejudicar a população.

Outro ponto levantado pela classe na carta é a relação com a Transita. Os servidores afirmam que o apoio das equipes de trânsito é essencial para garantir segurança durante as intervenções nas vias públicas, mas avaliam que a ausência de fluxos mais ágeis de comunicação acaba retardando serviços que exigem rapidez.

Apesar das críticas, os trabalhadores ressaltam que o objetivo da manifestação não é responsabilizar outros servidores ou setores da administração pública. “Nosso objetivo não é apontar culpados. Sabemos que os trabalhadores de todos os setores fazem sua parte. O que defendemos é uma gestão que integre equipes, fortaleça a comunicação e ofereça condições para que o serviço público funcione com mais eficiência”, afirma outro trecho da carta.

Ao final do documento, os servidores disseram que também são moradores de Itabira e defendem investimentos que garantam melhores condições de trabalho, equipamentos adequados, materiais de qualidade, planejamento e valorização profissional.

“Valorizar o trabalhador é fortalecer o serviço público. E fortalecer o serviço público é cuidar de toda a população”, conclui a carta aberta assinada pelos trabalhadores e trabalhadoras do SAAE.

Clique aqui para conferir o documento

Saae se posiciona

Em nota enviada à DeFato Online, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Itabira afirmou que respeita o direito à manifestação e ao debate democrático, mas disse não aceitar “acusações sem provas e informações distorcidas” que, segundo a autarquia, colocam em dúvida o trabalho realizado pelos servidores e pela atual gestão.

O órgão também questionou o fato de a carta lida durante a reunião de comissões não conter a identificação dos trabalhadores que seriam os autores das críticas. Para o Saae, embora o Sintsepmi tenha legitimidade para representar os servidores, denúncias desacompanhadas de provas “não contribuem para o debate e apenas geram desinformação”.

A autarquia disse que está conduzindo um dos maiores processos de reestruturação de sua história, citando investimentos como a implantação do Anel Hidráulico, a modernização dos sistemas de abastecimento, a recuperação da infraestrutura, a aquisição de equipamentos e a realização de concurso público para recompor o quadro de servidores. O Saae também afirmou que mantém processos licitatórios em andamento para a compra de tubos, conexões, peças, ferramentas e outros insumos, ressaltando que todas as aquisições seguem os procedimentos previstos na Lei de Licitações.

Sobre as críticas relacionadas à comunicação com outros órgãos, a autarquia afirmou que informar a população sobre obras programadas e emergenciais faz parte de seu compromisso com a transparência, e também declarou que a atuação integrada com a Transita, veículos de comunicação e demais instituições busca garantir segurança, organização e agilidade durante as intervenções.

Por fim, o Saae afirmou que permanece aberto ao diálogo com os servidores e com a sociedade, mas defendeu que esse debate seja conduzido “com responsabilidade, fatos e respeito à verdade”, acrescentando que o avanço do saneamento em Itabira depende de planejamento, investimentos e compromisso com a população.

Confira a nota na íntegra:

“O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Itabira respeita o direito à manifestação e ao debate democrático. No entanto, não aceitará que acusações sem provas e informações distorcidas, em um ano eleitoral, coloquem em dúvida o trabalho sério realizado por seus servidores e pela atual gestão.

Causa estranheza à direção da autarquia a divulgação de uma carta sem qualquer assinatura ou identificação de servidores que assumam a autoria das acusações. O Saae respeita o direito de manifestação da entidade que representa os servidores públicos se manifestar, mas entende que denúncias desacompanhadas de provas, não contribuem para o debate e apenas geram desinformação.

Diferentemente do conteudo da carta assinado pela direção do SINTSEPMI, durante a reunião de comissões da Câmara Municipal nesta terça-feira (28), o Saae vive um dos maiores processos de reestruturação de sua história. Enquanto alguns fazem críticas, a atual gestão trabalha para resolver problemas históricos e construir soluções definitivas para Itabira.

Estão em andamento investimentos estruturantes, como o Anel Hidráulico, a modernização dos sistemas de abastecimento, a recuperação da infraestrutura, a aquisição de equipamentos e a realização do concurso público para recompor o quadro de servidores e fortalecer a capacidade operacional da autarquia.

Também seguem em andamento processos licitatórios para aquisição de tubos, conexões, peças, ferramentas e demais insumos. Como determina a legislação, toda compra pública deve cumprir as etapas previstas na Lei de Licitações, garantindo transparência, legalidade e responsabilidade na aplicação dos recursos públicos.

O Saae reafirma que informar a população sobre obras programadas e emergenciais é uma obrigação e um compromisso com a transparência. Da mesma forma, a atuação integrada com a Transita, veículos de comunicação e demais instituições busca garantir segurança, organização e agilidade durante as intervenções.

A atual gestão continuará aberta ao diálogo com os servidores e com a sociedade. Mas esse diálogo precisa ser pautado por responsabilidade, fatos e respeito à verdade. O saneamento de Itabira não avança com narrativas ou acusações sem comprovação. Avança com trabalho, planejamento, investimentos e compromisso com a população”.