Dez anos após a tragédia de Mariana, causada por empresa controlada pela Vale, pescadores do Espírito Santo ainda cobram assistência à saúde

Reportagem do portal Notícias Capixaba mostra que, uma década após o rompimento da barragem de Fundão, comunidades atingidas seguem enfrentando dificuldades

Dez anos após a tragédia de Mariana, causada por empresa controlada pela Vale, pescadores do Espírito Santo ainda cobram assistência à saúde
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Após mais de dez anos do rompimento da barragem de Fundão, operada por empresa controlada pela Vale, , em Mariana (MG), e considerado o maior desastre ambiental da história do Brasil, pescadores, marisqueiras e ribeirinhos do Espírito Santo afirmam que continuam convivendo com os impactos da tragédia e, principalmente, com a falta de assistência adequada à saúde.

As informações foram publicadas pelo portal Notícias Capixaba, que acompanhou uma agenda institucional da Comissão Interestadual Parlamentar de Estudos para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Rio Doce (Cipe Rio Doce), realizada em junho deste ano no Espírito Santo.

O rompimento da barragem administrada pela Samarco — empresa controlada pela Vale e pela BHP Billiton — aconteceu em novembro de 2015, provocando a morte de 19 pessoas, deixando três desaparecidas e despejando cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração na Bacia do Rio Doce.

A lama percorreu aproximadamente 600 quilômetros até chegar ao Oceano Atlântico, atingindo comunidades ao longo do Rio Doce e parte do litoral capixaba e baiano.

Durante a agenda da Cipe Rio Doce, pescadores e representantes de comunidades atingidas relataram que, apesar dos acordos de reparação firmados ao longo da última década, ainda enfrentam dificuldades para serem reconhecidos oficialmente como atingidos, acessar indenizações e, principalmente, receber acompanhamento médico adequado.

O presidente da comissão, deputado estadual mineiro Leleco Pimentel (PT), afirmou que há um distanciamento entre as decisões tomadas pelos governos e a realidade vivida pelas comunidades.

“É um crime que se desdobra em três esferas: ambiental, social e econômica. Hoje, esses pescadores poderiam estar fornecendo alimentos para as escolas através do PNAE, mas não podem. Eles não podem pescar para vender, não podem consumir o próprio peixe e não recebem o amparo adequado desses recursos”.

Entre as principais reivindicações apresentadas está a implementação de programas permanentes de monitoramento da saúde das populações impactadas.

Presidente do Sindicato dos Pescadores e Marisqueiros do Espírito Santo (Sindpesmes), João Carlos Gomes, afirmou que a principal preocupação dos trabalhadores não é financeira.

“A nossa principal pauta é o reconhecimento de todos os pescadores do Estado e, acima de tudo, a saúde deles. Já se passaram dez anos desde a tragédia da barragem e, até hoje, não foi estabelecido um mecanismo para monitorar e verificar como está a saúde dos nossos pescadores ao longo desse período pós-desastre”.

Segundo as lideranças ouvidas pelo portal Notícias Capixaba, muitos pescadores continuam impedidos de exercer plenamente a atividade devido às restrições ambientais ainda vigentes, enquanto aguardam medidas efetivas de reparação.

Apesar do anúncio de novos investimentos públicos para a área da saúde nos municípios atingidos, representantes das comunidades avaliam que a reparação integral dos danos causados pela tragédia ainda está distante de se concretizar.