Discussão em bar terminou em emboscada e morte: Polícia Civil conclui inquérito sobre assassinato em Contagem

Investigação aponta participação de traficantes e detalha dinâmica do crime ocorrido em área conhecida como Terrão

Discussão em bar terminou em emboscada e morte: Polícia Civil conclui inquérito sobre assassinato em Contagem
Foto: Divulgação/PCMG

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito que apurou a morte de Nayara Sthefany de Oliveira Ramos, de 29 anos, assassinada em fevereiro deste ano em uma área de mata conhecida como Terrão, no limite entre os bairros Funcionários e Três Barras, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O desfecho da investigação foi apresentado nesta sexta-feira (12) pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Segundo os investigadores, o crime teve origem em um desentendimento ocorrido durante a inauguração de um bar da região, na noite de 8 de fevereiro de 2025. Nayara participava da confraternização quando teve um atrito com uma mulher que chegou ao local exaltada e acabou derramando cerveja sobre ela. A discussão foi contida por pessoas presentes, e a mulher deixou o bar. De acordo com a apuração policial, ela é irmã de um gerente do tráfico de drogas que atua na região.

No dia seguinte, já na tarde de 9 de fevereiro, Nayara foi procurada por um adolescente de 16 anos, que a convidou para uma conversa com traficantes locais, sob o argumento de esclarecer o ocorrido na noite anterior. A vítima, que conhecia os envolvidos por morar em uma área sob influência do tráfico, aceitou o convite. Ela foi levada até o Terrão, um grande terreno frequentemente utilizado como rota de passagem por moradores e já conhecido pelo registro de outros homicídios.

No local, Nayara foi executada a tiros pelo irmão da mulher envolvida na discussão inicial, com a participação de um comparsa e na presença do adolescente. A investigação aponta que o crime foi motivado por vingança e praticado de forma a impedir qualquer possibilidade de defesa da vítima.

A Polícia Civil informou que, após o homicídio, foram realizadas perícias, levantamentos de campo e diligências que incluíram buscas e apreensões nas residências dos suspeitos. A análise de aparelhos telefônicos e o cruzamento de informações permitiram reconstruir a dinâmica do crime e identificar os responsáveis. O inquérito foi concluído no fim de novembro, com pedido de prisão preventiva do autor principal, que já se encontrava preso por tráfico de drogas, além da aplicação de medidas cautelares contra a irmã dele, apontada como coautora por incitar a ação.

Um dos executores diretos morreu durante o andamento das investigações, em circunstâncias não relacionadas ao caso. O adolescente foi responsabilizado conforme previsto na legislação específica e teve o caso encaminhado à Vara da Infância e Juventude.

Nayara Sthefany deixou três filhos, todos menores de idade. O inquérito foi remetido ao Judiciário, e os acusados vão responder por homicídio qualificado, com motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima.