Dom Gil Antônio Moreira fala sobre despedida, encontro com o Papa e novos caminhos na missão episcopal
O líder religioso será substituído por dom Marco Aurélio Gubiotti, atual bispo da Diocese de Itabira–Coronel Fabriciano, que se tornará arcebispo metropolitano no próximo dia 7 de março
Durante visita a Itabira, nesta segunda-feira (26), o arcebispo emérito de Juiz de Fora, dom Gil Antônio Moreira, concedeu entrevista ao DeFato e falou sobre o período de transição vivido pela Arquidiocese Metropolitana, o encontro pessoal com o Papa Leão XIV e os novos caminhos de sua missão após deixar o governo pastoral.
O líder religioso será substituído por dom Marco Aurélio Gubiotti, atual bispo da Diocese de Itabira–Coronel Fabriciano, que se tornará arcebispo metropolitano no próximo dia 7 de março. A sua renúncia, acolhida pela Santa Sé conforme o rito previsto pelo Direito Canônico ao completar 75 anos, foi vivida por dom Gil como um gesto de fidelidade e confiança na Igreja.
Segundo ele, a decisão foi tomada com plena consciência e paz interior, sem sofrimento do ponto de vista eclesial. O arcebispo emérito reconheceu que o aspecto mais sensível está ligado à dimensão humana, à saudade do convívio e das relações construídas ao longo dos anos. Ainda assim, destacou que a transição foi vivida com maturidade e equilíbrio.
“Eu fiz isso com muita tranquilidade, entreguei diretamente ao Papa a minha carta e disse: “Eu só tenho que agradecer à Igreja, que sempre confiou em mim, desde criança”. Eu fui para o seminário com 11 anos de idade, me preparei para ser padre, depois a Igreja me chamou para ser bispo, depois me confiou a ser bispado. Então eu não tenho nada a dizer senão agradecer a Igreja”,
Na entrevista à DeFato, dom Gil relembrou com emoção o encontro pessoal com o Papa Leão XIV, ocasião em que entregou, em mãos, sua carta de renúncia durante uma audiência particular no Vaticano. Ele contou que, ao longo de seu episcopado, sempre evitou solicitar encontros privados com o pontífice, preferindo tratar questões institucionais por correspondência. Contudo, considerou simbólico viver esse momento de transição em um encontro direto.————————–

Sobre a nomeação de dom Marco Aurélio Gubiotti como novo arcebispo metropolitano de Juiz de Fora, dom Gil revelou que participou do processo consultivo, indicando nomes à Santa Sé, entre eles o do então bispo de Itabira–Coronel Fabriciano. Segundo ele, a convivência com dom Marco durante o Jubileu dos Bispos, em Roma, reforçou essa percepção.
Ao falar sobre eventuais orientações ao sucessor, dom Gil preferiu não assumir o papel de conselheiro, mas compartilhou uma convicção pastoral que marcou sua trajetória: a importância da proximidade com o povo. O arcebispo emérito destacou as características próprias da Arquidiocese de Juiz de Fora, cidade-polo com cerca de 600 mil habitantes, cercada por outros 37 municípios, o que favorece a unidade pastoral. “Dar tempo ao povo acho que é mais importante que fazer um sermão”, disse.
Dom Gil também contou que tem recebido convites para retiros, palestras, celebrações e novenas, e comentou, com leveza, que precisará cuidar da agenda para viver plenamente essa nova etapa condição de arcebispo emérito. Por fim, o líder religioso afirmou que optou por não assumir cargos administrativos ou funções formais na Arquidiocese. Seu desejo é permanecer livre e disponível para o serviço, sobretudo junto às realidades mais sensíveis. Entre suas escolhas, está o trabalho com a população em situação de rua, como diretor espiritual da Sociedade São Vicente de Paulo, em Juiz de Fora.
“Isso não é cargo, é serviço. Quero estar disponível para quem precisar”, afirmou.
Ver essa foto no Instagram




