Dono do Cruzeiro fatura R$ 25 bilhões com a quarta maior rede de supermercados do país
Filho de lavradores, deixou a casa dos pais aos 18 anos e com o ensino fundamental incompleto
Com cerca de 300 lojas próprias em ao menos 95 cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo, Pedro Lourenço, ex-carregador de caixas de supermercados em Belo Horizonte, nascido na pequena cidade de Paineiras, a 250 quilômetros de Belo Horizonte, é proprietário, hoje, da quarta maior rede de supermercados do país.
Filho de lavradores, deixou a casa dos pais aos 18 anos e com o ensino fundamental incompleto, tentou a vida na capital mineira, onde foi carregador de caixas, repositor de mercadorias, vendedor e encarregado de depósito, depois gerente, e em seguida, supervisor de vendas do atacadista Ferreirão, onde adquiriu conhecimentos do meio que o tornaria referência do ramo.
Em 1996, aos 40 anos, com os recursos que havia juntado, abriu uma mercearia na periferia de Santa Luzia, na Grande BH, apostando no público que os grandes supermercados ignoravam.
Em entrevista à Exame em 2017, disse: “Meus amigos diziam que não ia dar certo vender na periferia e minha mulher queria que eu desistisse. Mas eu não levo em consideração o que os outros pensam”.
O lucro foi reinvestido em novas lojas, e, em 2004, vendeu cerca de 40% da empresa para dois sócios, usando os recursos para acelerar a expansão, abrindo filiais e adquirindo mercadinhos que não prosperavam, em vias de falir.
Apostou em mercadorias mais baratas, “comendo pelas beiradas”, como ele próprio admite, e foi no rastro do aumento do poder aquisitivo das classes C e D, no decorrer de quase três décadas.
A estratégia funcionou: segundo o Ranking Abras 2026, a rede fatura R$ 25,72 bilhões e se colocou na quarta posição no ranking nacional, tornando-se, também, a maior rede de Minas Gerais, um estado que ocupa o terceiro lugar no país em volume de receita supermercadista, com as dez maiores redes somando R$ 80,6 bilhões.
O faturamento das redes supermercadistas brasileiras superou R$ 1,1 trilhão em 2025, igual a 9,2% do PIB do Brasil.
A ligação de Pedrinho BH com o Cruzeiro, seu clube do coração antecede a compra do clube, que, como torcedor fanático, chegou a pagar do próprio bolso os salários atrasados dos jogadores do clube antes de se tornar SAF.
Dois anos atrás, tornou-se o dono oficial do clube e tenta repetir no campo esportivo a fórmula que funcionou no varejo: começar de baixo, crescer com consistência e não ligar para o que os outros pensam.
*Fonte: Exame




