Duplicação da BR-381: promessa antiga, novela repetida e novo prazo sob desconfiança

Em coletiva em Belo Horizonte, Renan Filho, ministro dos Transportes do governo Lula (MDB-AL), anuncia início das obras em Caeté para março; trecho urbano segue travado

Duplicação da BR-381: promessa antiga, novela repetida e novo prazo sob desconfiança
Foto: Reprodução/Vídeo

A duplicação da BR-381, conhecida nacionalmente como “Rodovia da Morte”, ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira (14). Em coletiva de imprensa realizada na manhã de hoje, em Belo Horizonte, o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB-AL), anunciou que as obras no trecho entre Ravena, em Sabará, e o trevo de Caeté devem começar em março de 2026.

No entanto, o anúncio veio acompanhado de ressalvas. O histórico de atrasos e promessas não cumpridas mantém a desconfiança de moradores, motoristas e caminhoneiros que utilizam a rodovia diariamente.

Enquanto isso, o trecho entre o Anel Rodoviário de Belo Horizonte e Ravena segue sem data definida. Segundo o ministro, as intervenções dependem da conclusão das desapropriações. Ao todo, cerca de 800 famílias vivem às margens da pista. A expectativa, portanto, é que as obras nesse segmento só comecem no final do primeiro semestre de 2026.

Visita a BH e lançamento de caravana nacional

Renan Filho esteve na capital mineira para lançar a caravana “Na Boleia do Brasil”. O projeto do Ministério dos Transportes percorre rodovias estratégicas do país. O objetivo é vistoriar trechos críticos, anunciar investimentos e dialogar com gestores locais.

Belo Horizonte foi a primeira parada da iniciativa. Ainda nesta semana, a caravana passa por outras cidades de Minas Gerais. Depois, segue para o Rio de Janeiro e São Paulo.

Durante a coletiva, o ministro detalhou o cronograma da BR-381. Além disso, afirmou que o governo federal tenta destravar uma obra que se tornou símbolo do atraso em infraestrutura rodoviária no estado.

Dois lotes e entraves históricos

Ao todo, são cerca de 43 quilômetros de duplicação sob responsabilidade direta do governo federal. As obras foram divididas em dois lotes. O primeiro liga Ravena a Caeté e tem início previsto para março. O segundo vai de Ravena até Belo Horizonte e segue condicionado a questões jurídicas e sociais.

Segundo Renan Filho, o governo prevê investir cerca de R$ 300 milhões nas desapropriações. O processo inclui três alternativas. A primeira é a indenização financeira. A segunda é a compra assistida de outro imóvel. Já a terceira envolve reassentamento por meio do programa Minha Casa, Minha Vida.

“Estamos negociando caso a caso, com acompanhamento do Ministério Público Federal e da Justiça Federal”, afirmou o ministro. Segundo ele, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é clara. Não haverá remoções sem diálogo e segurança jurídica.

Por que a BR-381 virou uma ‘novela’?

A duplicação da BR-381 é chamada de “novela” porque atravessa décadas de anúncios e prazos frustrados. Desde os anos 2000, diferentes governos prometeram intervenções no trecho entre Belo Horizonte e Governador Valadares. Ainda assim, a obra nunca avançou de forma consistente.

Além disso, o trecho concentra curvas sinuosas, tráfego pesado e alto índice de acidentes. Por isso, é considerado um dos mais perigosos do país.

Em 2024, o presidente Lula (PT) anunciou, pelo terceiro ano seguido, a retomada do leilão de concessão da rodovia. As tentativas anteriores fracassaram por falta de interesse da iniciativa privada. Para evitar novo impasse, o governo decidiu assumir diretamente os trechos mais críticos.

Mesmo assim, os problemas persistiram. Ao longo de 2025, entraves técnicos, jurídicos e sociais impediram o início das obras. Vale lembrar que o próprio Renan Filho havia prometido o começo da duplicação até dezembro do ano passado. O prazo não foi cumprido.

Concessão e gestão compartilhada

No fim de 2024, a BR-381 foi concedida à iniciativa privada. A rodovia passou à gestão da concessionária Nova 381, responsável pelos trechos fora da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Por outro lado, os segmentos urbanos e mais complexos ficaram sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Em Belo Horizonte, o processo de desapropriação avançou apenas no fim de 2025. Na ocasião, foi destinado um terreno no bairro Capitão Eduardo para reassentar famílias que vivem às margens da pista. A decisão envolveu a Prefeitura de BH, o DNIT, o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6).

Entre o anúncio e a execução

Apesar do novo cronograma apresentado na coletiva, a duplicação da BR-381 segue sob vigilância. Curvas perigosas, trânsito intenso e acidentes frequentes continuam fazendo parte da rotina da rodovia.

Assim, mais do que um novo anúncio, o início efetivo das obras será decisivo. Só então será possível saber se a histórica “novela” da BR-381 caminha para o fim ou se ganhará mais um capítulo.