El Niño excepcional pode elevar risco de fome em várias regiões do planeta

Os chamados episódios do Super El Niño se caracterizam por exponencial aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial

El Niño excepcional pode elevar risco de fome em várias regiões do planeta
Fenômeno de situação climática extrema provoca apreensão- Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O desenvolvimento de um novo episódio do El Niño no Oceano Pacífico deixa cientistas e especialistas apreensivos na questão da segurança alimentar, caso o fenômeno tenha maior intensidade, causando impactos que podem ser sentidos muito além da temperatura e da chuva, afetando diretamente a produção de alimentos e aumentando o risco de fome em regiões vulneráveis do planeta.

Os chamados episódios do Super El Niño se caracterizam por exponencial aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial, mudando significativamente os padrões atmosféricos globais, alterando a distribuição de chuva e favorecendo eventos extremos como secas prolongadas, enchentes e ondas de calor.

Eleva a preocupação o fenômeno ocorrendo em um contexto de aquecimento global acelerado, com o aumento da temperatura média do planeta com potencial para amplificar os efeitos do El Niño tornando mais intensos os extremos climáticos e aumentando os prejuízos para a agricultura.

A produção agrícola é particularmente sensível às condições meteorológicas, com as temperaturas mais elevadas podendo reduzir a produtividade de diversas culturas, enquanto a falta ou excesso de chuva prejudicam o desenvolvimento das lavouras.

Em várias partes do mundo, produtores rurais já enfrentam dificuldades crescentes para manter os níveis estáveis de produção frente a maior frequência de eventos climáticos extremos.

Também a pecuária se vê prejudicada, com os animais submetidos às altas temperaturas tendendo a ter menor ganho de peso, redução da produção de leite e maior mortalidade.

Em regiões mais pobres, onde a pecuária representa importante fonte de renda e alimentação, os impactos podem ser especialmente mais danosos.

Preocupa também a dependência da agricultura moderna de fertilizantes e combustíveis fósseis, com grande parte dos alimentos produzidos atualmente submissos a cadeias logísticas complexas envolvendo transporte de insumos por milhares de quilômetros.

Qualquer interrupção causada por conflitos, crises econômicas ou eventos climáticos extremos pode comprometer a produção futura.

Países em desenvolvimento, como nações africanas, asiáticas e latino-americanas tendem a ser mais vulneráveis e dependem fortemente da importação de alimentos e fertilizantes.
Quando os preços internacionais sobem ou a oferta diminui, milhões de pessoas se veem expostas ao risco de insegurança alimentar.

O cenário se torna mais crítico frente ao aumento das tensões geopolíticas nas diferentes partes do mundo, com guerras e conflitos afetando o comércio internacional, elevando custos de transporte e reduzindo a disponibilidade de produtos agrícolas nos mercados globais.

A MetSul Meteorologia tem destacado que episódios fortes do El Niño costumam provocar importantes alterações climáticas em grandes regiões produtoras de alimentos.

Enquanto algumas áreas registram excesso de chuva e enchentes, outras enfrentam secas severas e perdas agrícolas significativas, repercutindo nos preços internacionais de commodities agrícolas e alimentos.

Especialistas defendem que enfrentar o risco de futuras crises alimentares exigirá mais do que medidas emergenciais, com investimentos em sistemas agrícolas mais resilientes, diversificação de cultivos, uso eficiente da água e práticas sustentáveis, apontados como caminhos para a redução de vulnerabilidade diante de fenômenos climáticos extremos.

*Fonte: MetSul Meteorologia