Muitas versões personificam a figura paterna, várias delas positivas: herói, protetor, companheiro, exemplo a ser seguido. Muitas também são as histórias para contar. Na próxima edição da revista DeFato, inclusive, diversas homenagens enviadas pelos internautas de DeFatoOnline pelo DeFato Repórter farão parte de um especial, em comemoração ao Dia dos Pais, celebrado neste domingo, 14 de agosto.
Em alusão à data, a reportagem entrevistou o músico e poeta itabirano, Marçal Filho, envolvido numa história que reflete a figura do pai-herói para o produtor musical e arranjador Marcelo Filho, de 30 anos.
Marcelo nasceu com uma má formação óssea (osteogênesis imperfecta) que atingiu seus membros inferiores. A princípio, o pai ficou revoltado com tal condição. “Me perguntava: por que comigo, meu Deus? ”, conta Marçal. No entanto, à medida em que o menino crescia, o pai observava suas inúmeras habilidades, inclusive ligadas à música.
Apesar das dificuldades e das limitações, Marçal aprendeu a enxergar além das limitações de Marcelo. “A aproximação entre pai e filho é muito importante. Apesar de tudo, sempre estive presente e encarei a realidade”, relembra.
Como músico, Marçal sempre prezou pela liberdade, e fez o mesmo com filho, deixando-o livre para trilhar seu caminho, independente de qual fosse. Mas aos treze anos, Marcelo já subia ao palco para se apresentar em festivais de música, acompanhando o pai.
Marcelo faz questão de ressaltar a importância do pai em sua vida, pois, para ele, Marçal é exemplo de caráter e superação. A relação de pai e filho, nesta história, passou a ser de muita parceria, tanto na arte como no dia a dia. “Brincamos o tempo todo; somos muito parecidos”, diz o filho, ao demonstrar admiração pelo pai: “Ele sempre me deu apoio em tudo, principalmente quanto aos valores morais. Para mim, ele é uma referência”, ressalta.
Tamanha admiração tem um motivo. O produtor conta que nos períodos mais difíceis de sua vida, Marçal sempre esteve presente. Quando se tornou usuário de drogas por quatro anos, o pai não atirou pedras: “Não que ele gostasse, pois nenhum pai quer isto para o filho, mas em nenhum momento ele esteve contra mim”, disse, ao contar que deu muito trabalho quando adolescente: “Eu era muito rebelde e vivia em bebedeiras”.
Hoje, com uma relação próxima e de cumplicidade, Marcelo evidencia a importância paterna em sua formação profissional e pessoal. “Ele para mim é um herói. Acho que o filho é o reflexo do pai e eu o tenho como um espelho”, finaliza.